Emergentes lutam na OMS por acesso justo à vacina contra gripe

Virgínia Hebrero. Genebra, 15 mai (EFE).- As tensões entre os países desenvolvidos, que concentram 90% da capacidade de produção de vacinas contra a gripe suína, e as nações em desenvolvimento, que defendem um acesso mais justo a esses tratamentos, voltaram a ficar evidentes hoje na Organização Mundial da Saúde (OMS).

EFE |

Sob a pressão da atual crise gerada pela gripe, os países-membros da OMS retomaram hoje uma reunião preparatória para o caso de a doença se transformar em uma pandemia, que há dois anos busca um acordo sem sucesso sobre um sistema de troca de vírus e dos benefícios da pesquisa desses.

Apesar de as discussões terem começado há dois anos em resposta à ameaça da gripe aviária, o surgimento do vírus AH1N1 deu um novo sentido de urgência.

"Estamos nos reunindo em um momento crítico...Esperamos que o padrão de expansão internacional (da gripe) continue", disse a diretora-geral da OMS, a chinesa Margaret Chan, ao discursar aos participantes.

Os Estados-membros, que produzem remédios, e ONGs relacionadas à saúde participam das discussões, que estavam previstas para terminar amanhã, mas que, em vista das dificuldades e divergências, podem se prolongar pela próxima semana, coincidindo com a Assembleia Mundial da Saúde.

Chan voltou a afirmar hoje que o vírus AH1N1, até então desconhecido, é imprevisível, e pediu para não baixar a guarda perante a aparente falta de gravidade da maioria dos casos registrados no mundo.

"Felizmente, os países com casos confirmados de AH1N1 lançaram uma resposta agressiva ao novo vírus. É digno de elogio o rápido envio das amostras dos vírus para análise, e para poder fazer a base da vacina", assegurou.

O envio das amostras à OMS, que as remete aos laboratórios associados da organização para que as farmacêuticas possam produzir as vacinas contra a gripe, é exatamente o ponto mais disputado pelos países em desenvolvimento nos últimos dois anos.

Liderados por Brasil, Indonésia, Tailândia, Índia e Nigéria, essas nações lutam para que essa troca se traduza em acesso a tratamentos e vacinas, assim como à tecnologia para produzí-los.

Durante a crise da gripe aviária, a Indonésia se recusou a compartilhar o vírus, alegando que, depois, teria que comprar a vacina produzida pelas multinacionais por preços abusivos.

Na reunião de hoje, os países representantes da organização na região do Sudeste Asiático reiteraram a posição de que "as atuais respostas no marco da preparação perante uma pandemia não são justas, transparentes ou equitativas".

"Até agora, a OMS não apoiou nem recomendou que os países com capacidade de produção comecem a fabricar seus próprios antivirais genéricos", afirmaram no discurso.

Os representantes acusaram as nações desenvolvidas de ter assinado "acordos com os fabricantes de vacinas para se assegurar de que receberão os primeiros carregamentos da vacina pandêmica que saírem das cadeias de produção, deixando em grande risco os países em desenvolvimento".

E também denunciaram que "muitos países em desenvolvimento fecharam contratos antecipados para comprar mais de 200 milhões de doses de vacinas de gripe pandêmica, o que representa mais da metade da atual produção total de vacinas contra a gripe".

Por sua vez, a rede de ONGs Third World Network destacou "a urgente necessidade de que se estabeleça um sistema global de acesso justo e equitativo às vacinas da gripe e aos tratamentos antivirais.

"A reunião tem que terminar com a garantia de que os países em desenvolvimento terão à disposição antivirais a preços acessíveis e a vacinas, assim como à tecnologia para fabricar esses produtos", agora protegidos por patentes, acrescentou o grupo.

A OMS elevou hoje para 7.520 os casos reportados da gripe, em 34 países, e mantém o nível de alerta de pandemia na fase 5 (de um total de 6).

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE vh/db

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