Emergentes evitam se comprometer com meta para reduzir emissões de CO2

Patricia Souza Toyako (Japão), 9 jul (EFE).- Os países emergentes evitaram hoje se comprometer com a meta do Grupo dos Oito (G8, sete países mais industrializados e a Rússia) para reduzir pela metade, até 2050, as emissões de dióxido de carbono (CO2).

EFE |

Após três intensos dias, a cúpula do G8 terminou na ilha japonesa de Hokkaido com uma grande reunião com os líderes das nações emergentes Brasil, China, México, Índia, e África do Sul, além da Indonésia, Austrália e Coréia do Sul, que juntos são responsáveis por mais de 80% das emissões mundiais de CO2.

Durante o chamado Encontro das Grandes Economias (MEM, na sigla em inglês), fórum apoiado pelos Estados Unidos e que continuará na cúpula da Itália, em 2009, os representantes das 16 economias se comprometeram com "reduções profundas" das emissões globais, mas sem concretizar datas e percentagens, assim como com um acordo pós-Kioto no final do próximo ano.

O G8, formado por EUA, Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Canadá, Japão e Rússia, destacou que estabelecerá metas de redução a médio prazo, em 2020 ou 2030, enquanto os países em desenvolvimento "diminuirão o aumento das emissões futuras", segundo o comunicado conjunto divulgado no final da reunião.

"A possibilidade de cumprir metas a longo prazo dependerá de tecnologias inovadoras, acessíveis e mais avançadas, e de práticas que transformem a maneira como vivemos, produzimos e usamos energia", concordaram as 16 nações.

No entanto, apenas Austrália, Coréia do Sul e Indonésia manifestaram expressamente seu apoio à meta definida ontem pelo G8 para diminuir pela metade a emissão de gases até 2050, admitiu o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores japonês, Kasuo Kodama.

O porta-voz disse que, no encontro, "um líder", cujo nome não foi especificado, deixou claro que seu país ainda está se desenvolvendo e muita gente continua vivendo na pobreza, em uma aparente referência ao presidente da China, Hu Jintao, que já fez comentários parecidos em outras ocasiões.

Por sua parte, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, ressaltou durante a cúpula do Japão que seu país "não pode, neste momento, considerar restrições quantitativas em suas emissões", em declarações a jornalistas de seu país.

A China é o segundo emissor mundial de gases que causam o efeito estufa, com 18,5% do total, e a Índia é o quarto país nessa lista, embora com apenas 5%.

"Ninguém pode pedir que os países em desenvolvimento sacrifiquem seu crescimento; a questão é encontrar a forma de compatibilizar a redução de gases poluentes com o crescimento", disse hoje a Presidência japonesa do G8.

As nações ricas e os países em desenvolvimento chegaram a Hokkaido com posições claramente divergentes quanto à luta contra o aquecimento global, mas ainda assim "houve consensos" na cúpula, segundo o Governo japonês.

"Todos os líderes expressaram muito claramente que o assunto da mudança climática deve ser levado a sério; trata-se de um problema global que requer uma resposta global, e foram os países desenvolvidos que acumularam as emissões de gás ao longo da história", explicou o porta-voz japonês.

Todos os líderes participantes concordaram com o "êxito" do acordo sobre o clima, no qual consideram terem sido conciliadas posturas extremas, em meio ao ceticismo e às críticas das ONGs.

O primeiro-ministro do Japão e presidente rotativo do G8, Yasuo Fukuda, disse que foi possível "impulsionar as negociações sobre o clima no marco da ONU", em referência ao tratado internacional que deve ser decidido em um ano e meio para substituir o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

Esse foi o principal acordo alcançado na 13ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em dezembro de 2007, onde os EUA e os países em desenvolvimento aceitaram participar da conferência de Copenhague, em 2009, para negociar o "futuro pós-Kioto". EFE psh/wr/gs

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