Embriões de casais britânicos podem ter sido doados sem permissão

Doação ilegal seria feita pela clínica Intitut Marques com material não aproveitado na fertilização in vitro

EFE |

Centenas de embriões de casais britânicos que se submeteram a tratamentos de fecundação in vitro em uma clínica de Barcelona poderiam ter sido implantados no útero de outras mulheres sem seu consentimento, informou hoje o jornal "Daily Telegraph".

Segundo o jornal, os embriões restantes dos tratamentos de fecundidade eram doados a outras mulheres quando o casal do qual descendiam não respondia às cartas da clínica ou não tinha negado expressamente a possibilidade de uma doação dos zigotos.

Este sistema de doações infringe a legislação britânica, segundo a qual os pacientes devem dar seu consentimento explícito para que seus embriões sejam doados ou utilizados para fins de pesquisa.

No Reino Unido, os filhos resultantes de embriões restantes têm direito a conhecer suas origens biológicas ao completar a maioridade e vice-versa, ressalta o jornal.

Cada vez mais casais britânicos viajam ao estrangeiro para submeter-se a tratamentos de fertilidade, sobretudo se necessitam de óvulos ou esperma de doadores, já que é mais fácil consegui-los em países como a Espanha.

Segundo o "Telegraph", desde 2004 a clínica Institut Marques de Barcelona, acusada de ter doado os embriões sem o consentimento dos pais, teria tratado de 317 casais britânicos, dos quais só 26 tinham sido contra a adoção e 114 não teriam concretizado o que fazer com os embriões.

Cada casal costuma deixar dois ou três embriões sem usar, por isso centenas de zigotos estariam disponíveis para serem implantados, o que costuma resultar no nascimento de uma criança em 40% dos casos.

O programa de "adoção internacional" realizado pela clínica barcelonesa deu lugar, segundo o jornal britânico, ao nascimento de mais de 460 bebês que agora vivem em diferentes países aos dos casais doadores para minimizar os riscos de contato entre as crianças e os pais biológicos.

A clínica envia cartas anuais aos casais que se submeteram a tratamentos de fertilidade para que decidam o que fazer, mas segundo o diretor do Intitut Marques de Barcelona, Juan Álvarez, "em muitos casos, os casais não se decidem, porque assinar estes documentos costuma gerar conflitos emocionais, por isso que no final é a equipe médica do centro que toma a decisão por eles".

Os embriões são implantados nos úteros de mulheres da mesma raça e, ao ser a própria mãe que dá à luz, o bebê figura como biológico legalmente, não como adotado.

Ao menos 20 mulheres, quatro delas britânicas, receberam embriões graças a este sistema.

No Reino Unido, em 2007, só 221 dos 1,5 mil casais que se submeteram a tratamentos de fertilidade decidiram doar os embriões restantes, já que a maioria prefere reservá-los para seu próprio uso

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