Embargo dos EUA a Cuba vira protagonista da Cúpula das Américas

Jaime Ortega Carrascal. Port of Spain, 17 abr (EFE).- O embargo dos Estados Unidos a Cuba e a exclusão do país do sistema interamericano foram os assuntos dominantes hoje na abertura da 5ª Cúpula das Américas, com apelos reiterados para que o Governo americano suspenda as restrições que vigoram contra a ilha.

EFE |

Apesar das críticas aos EUA pelo isolamento de Cuba, a reunião começou com gestos de grande significado político pelas cordiais saudações dos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, ao líder americano, Barack Obama, que ofereceu em seu discurso "um novo começo" nas relações com Havana.

"Não estou interessado em falar sem pensar. Mas acho que podemos levar a relação entre Estados Unidos e Cuba a uma nova direção", afirmou o presidente americano.

Será "um longo caminho a percorrer, para superar décadas de desconfiança, mas há passos essenciais que podemos dar rumo a um novo dia", acrescentou o presidente americano.

A questão cubana, que periga se tornar o grande tema de debate na reunião iniciada hoje na capital de Trinidad e Tobago, foi, desde o começo, levantada pelos chefes de Estado ou de Governo dos 34 países participantes.

A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que foi a primeira a discursar, já que a Argentina sediou a última cúpula, que ocorreu em 2005, pediu diretamente a Obama que suspendesse o embargo que pesa sobre Cuba desde 1962.

Após repassar as mudanças que ocorreram no mundo de 2005 até os dias de hoje, entre os quais destacou a eleição do presidente dos EUA, Cristina foi direto ao assunto.

"Devemos perceber essas transformações, essa supressão da lógica de um mundo bipolar, do anacronismo que significa o embargo à irmã república de Cuba, e pedir seu levantamento", defendeu.

A presidente argentina valorizou o esforço de Obama para suavizar as restrições a Cuba, anunciadas esta semana, mas insistiu em que é hora de "construir uma nova ordem regional", na qual as relações não se baseiem na "subordinação", e sim em "colaboração e cooperação".

Na mesma direção seguiu o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que disse sentir "vergonha" de estar em um encontro no qual nem Cuba nem Porto Rico estejam participando.

"Não me sinto confortável nesta cúpula, sinto vergonha de estar participando desta cúpula, (que) me recuso a chamá-la de Cúpula das Américas", afirmou, durante seu discurso de 51 minutos em nome dos países da América Central.

Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962, enquanto Porto Rico é um Estado livre e associado aos Estados Unidos, mas, de acordo com Ortega, "está submetido às políticas colonialistas" de Washington.

Em defesa de Cuba, "cujo crime é lutar pela soberania dos povos e prestar solidariedade incondicional", disse que a ilha "foi punida, castigada e excluída".

Cristina e Ortega também aproveitaram para criticar o modelo capitalista, ao qual culparam pela crise mundial.

O líder nicaraguense acusou os EUA de usarem mão-de-obra de imigrantes centro-americanos, mas ressaltou que, "quando essa mão-de-obra vai além das reivindicações, então surgem as políticas repressivas".

No entanto, antes da sessão inaugural, o governante da Nicarágua apertou as mãos de Obama.

"Ele me respondeu em espanhol e eu disse algumas palavras em inglês. É o quarto (presidente dos EUA) com o qual me encontro", explicou o nicaraguense.

Chávez, que não discursou na abertura da cúpula, também saudou com cordialidade Obama, a quem manifestou o desejo de forjar uma amizade.

"Com esta mesma mão, há oito anos, eu cumprimentei Bush. Quero ser seu amigo", afirmou ao novo líder americano, ao apertar com força a mão de Obama, de acordo com um comunicado divulgado pelo Governo de Caracas.

Antes da cúpula, o chefe do Estado venezuelano tinha anunciado que estava preparando "a artilharia" com outros países da região para protestar contra a exclusão de Cuba desse tipo de reuniões e pelo embargo comercial, mas, ao chegar a Port of Spain, anunciou a "boa disposição" de inaugurar "uma nova era" no continente.

Também discursaram na abertura o primeiro-ministro de Belize, Dean Barrow, em nome dos países da Comunidade do Caribe (Caricom), e o de Trinidad e Tobago, Patrick Manning, como anfitrião da reunião.

Os dois também reivindicaram o fim do embargo e expressaram a necessidade de reformar o sistema financeiro internacional para enfrentar a crise.

O evento teve início com a entrada de cada um dos governantes participantes, precedidos pela respectiva bandeira dos países, e terminou com um espetáculo de música e dança caribenha. EFE joc/db

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