Embargo dos EUA a Cuba recebe condenação quase unânime na ONU

A Assembléia Geral da ONU pediu nesta quarta-feira aos Estados Unidos por votação quase unânime que ponha fim ao embargo comercial e financeiro imposto a Cuba há 46 anos.

AFP |

Uma resolução sobre a "necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba" recebeu 185 votos a favor e 3 contra (Estados Unidos, Israel e Palau) e duas abstenções (Micronésia e Ilhas Marshall).

O apoio a Cuba foi inclusive maior que o do ano passado, quando uma resolução semelhante havia recebido o respaldo de 184 países. A mudança ocorrida foi das Ilhas Marshall, que desta vez se abstiveram em vez de votar contra Cuba.

Trata-se da 17ª vez consecutiva que a ONU vota um texto similar. De 59 países que apoiaram o texto em 1992, o número aumentou para 179 em 2004, para 183 em 2006 e para 184 no ano passado.

"Esta é uma vitória histórica pela clareza com que no debate se constatou o isolamento absoluto em que está a política dos Estados Unidos em relação a Cuba", declarou o chanceler cubano Felipe Pérez Roque após a votação.

Em claro pedido por uma mudança da política externa americana em caso de vitória do candidato democrata à Casa Branca, Pérez Roque disse que "o bloqueio é mais antigo que o senhor Barack Obama e que toda a minha geração".

"Dentro de algumas horas será eleito um novo presidente dos Estados Unidos", disse Pérez Roque. "Este deverá decidir se admite que o bloqueio é uma política fracassada, que cada vez provoca mais isolamento e descrédito em relação ao seu país ou se persiste, com obsessão e crueldade, em tentar provocar o povo cubano com fome e doenças".

As sanções econômicas americanas a Cuba datam de 1962, decididas pelo presidente John Fitzerald Kennedy, também democrata.

Foi a primeira de uma série de medidas de caráter econômico e comercial para isolar o regime de Fidel Castro, acompanhadas pela lei Helms-Burton, a lei Torricelli e as restrições às viagens à ilha, entre outras.

"É certo que os Estados Unidos necessitam de uma mudança, e o mundo também", disse Pérez Roque.

"O correto, o coerente com o discurso de mudar as coisas neste país inclui retirar o bloqueio contra Cuba e manter relações normais e respeitosas com nosso país, que de maneira alguma é uma ameaça para os Estados Unidos", disse depois à imprensa.

O representante norte-americano Ronald Godard defendeu na Assembléia o direito de seu país decidir a forma de fazer comércio com Cuba e assegurou que o embargo permite "afastar os recursos dos dirigentes" cubanos.

Godard assegurou que o povo norte-americano fornece centenas de milhões de dólares de assistência humanitária a Cuba e que Havana havia rejeitado a ajuda oferecida em resposta aos recentes furacões que assolaram a ilha.

O representante francês Jean-Pierre Lacroix disse que "durante os últimos meses, a situação dos Direitos Humanos nesse país teve alguns desenvolvimentos positivos". No entanto, acrescentou, "a situação fundamentalmente não mudou, apesar de uma diminuição do número de presos políticos e dos atos de provocação.

O representante do México Claude Heller lembrou que "diversos órgãos e entidades do sistema das Nações Unidas destacam o impacto negativo que o bloqueio tem para o desenvolvimento econômico e social de Cuba".

A resolução aprovada "insta mais uma vez os Estados nos quais existem e continuam sendo aplicados leis e medidas desse tipo a, no prazo mais breve possível e de acordo com seu ordenamento jurídico, tomar as medidas necessárias para derrogá-las ou deixá-las sem efeito".

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