Embargo dos EUA a Cuba ganha protagonismo em cúpula da A. Latina e Caribe

Jaime Ortega Carrascal. Costa do Sauípe (Bahia), 17 dez (EFE) - A 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe que terminou hoje em Costa do Sauípe, na Bahia, lembrou do embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba e lançou as bases para a criação de uma União da América Latina e do Caribe. Na reunião, convocada pelo Brasil para que os 33 países da região debatessem sobre integração e desenvolvimento, Cuba ganhou protagonismo desde o começo pela participação do presidente Raúl Castro, elevado à categoria de astro em sua primeira viagem ao exterior como líder para um fórum internacional. Depois da aceitação da ilha como membro pleno do Grupo do Rio em uma reunião realizada na terça-feira, o líder boliviano, Evo Morales, foi mais ousado hoje. Ele propôs que os países da região retirem os embaixadores dos Estados Unidos se o Governo de Barack Obama, que assumirá em 20 de janeiro, não suspender o embargo contra Cuba em um prazo a ser determinado. Seria importante (...

EFE |

) dar um prazo ao novo Governo dos Estados Unidos para que levante o bloqueio econômico. Se o novo Governo não fizer isso, (proponho que) nós retiremos os embaixadores", disse Morales.

A proposta não recebeu apoio, pelo menos publicamente, durante a sessão final da cúpula, mas serviu para trazer à tona novamente um assunto que, em geral, incomoda o continente, além de evidenciar a simpatia ou antipatia que os Executivos possam ter pelo regime de Havana.

Lula, anfitrião do encontro, se distanciou da proposta de Morales e, com o pragmatismo característico, considerou que a América Latina deve dar uma oportunidade a Obama para que desenhe sua política regional antes de pedir que enfrente os desafios.

"Temos que esperar que o presidente dos Estados Unidos assuma seu cargo (em 20 de janeiro), para ver qual será sua proposta de política para a América Latina", afirmou Lula, que reconheceu que, nisto, é "mais cauteloso" do que Morales.

No entanto, ficou claro na cúpula que a América Latina e o Caribe estão enviando sinais a Washington de que as coisas começaram a mudar no que, durante décadas, foi considerado o "quintal" dos Estados Unidos.

"Há uma mudança na política externa da América Latina", disse o chefe de Estado hondurenho, Manuel Zelaya, um promotor do retorno de Cuba para dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual foi expulsa em 1962.

A posição foi referendada por outros líderes, que consideram que não faz sentido a existência de uma OEA sem Cuba.

Para avançar em um modelo concreto de integração, sem exclusões e que dê mais peso internacional à região, os 33 países reunidos na Bahia lançaram as bases para a criação, no início de 2010, de um novo mecanismo que, segundo o presidente mexicano, Felipe Calderón, poderia se chamar União da América Latina e do Caribe.

A data apontada tem um alto valor simbólico, pois coincide com o bicentenário da independência de vários países latino-americanos, o que, para a maioria da região, deve definir um marco em seu rumo político.

"Tomara que possamos avançar e formar a União da América Latina e do Caribe nos 200 anos de nossa independência", afirmou Calderón em entrevista coletiva conjunta com outros oito chefes de Estado que participaram da cúpula.

Ele explicou que os líderes voltarão a se reunir em fevereiro de 2010 no México e se encontrarão novamente no ano seguinte na Venezuela, para "avançar verdadeiramente na grande aspiração latino-americana" de construir a unidade "sobre bases políticas, sociais, econômicas e culturais" que façam valer a força da região.

A criação da União da América Latina e do Caribe seria, segundo o líder mexicano, "um ponto culminante, muito importante nos 200 anos de independência da América Latina". EFE joc/db

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