Embaixadora do Brasil na ONU celebra início de discussão sobre reforma de CS

NOVA YORK - A embaixadora do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Luiza Ribeiro Viotti, comemorou o fato de que a entidade finalmente tenha iniciado um debate substancial sobre a reforma de seu Conselho de Segurança.

Agência Ansa |

Em entrevista à ANSA, a diplomata comentou a ideia apresentada nesta sexta-feira por França e Grã-Bretanha, que propõem uma mudança "provisória e gradual" no órgão, que passaria a ter 21 assentos, e não mais 15, como atualmente.

Segundo Viotti, o Brasil "segue convencido de que a melhor maneira de chegar a um consenso mais representativo, legítimo e efetivo [no Conselho de Segurança] é aumentar o número de membros".    

"É importante avaliar o grau de apoio para cada uma das muitas ideias e propostas, e preparar-se para uma segunda rodada de negociações, a qual, esperamos, estará focada em um texto" para concluir a reforma, complementou ela, que participou da primeira de quatro reuniões que a Assembleia Geral da ONU deve realizar nos próximos meses para discutir o tema.    

Atualmente, o Conselho de Segurança da ONU é composto por 15 membros, sendo cinco permanentes e com direito a veto - Estados Unidos, França, Grã Bretanha, Rússia e China - e outros 10 cujos mandatos são temporários e têm duração de dois anos.    

Tal configuração, resultado do status das relações internacionais em 1945, ano em que foi criada a ONU, é tida como obsoleta ante o surgimento de outros atores importantes.    

A mudança proposta por Paris e Londres se daria mediante a criação de uma nova categoria de membros, eleitos regionalmente e com um mandato mais longo que o dos atuais não-permanentes - fala-se em um período de cinco anos.    

Este desenho valeria durante duas décadas. Em um segundo momento, haveria um novo debate, a partir do qual poderia ser ampliado até o número de vagas permanentes.    

A reforma do Conselho de Segurança é uma das prioridades da diplomacia brasileira. O país almeja ocupar um assento fixo no órgão, e tenta se associar a outras nações que têm o mesmo objetivo, como Alemanha, África do Sul e Índia (com as quais forma o chamado G4) para apresentar uma proposta conjunta. Além disso, trabalha para conquistar o apoio do bloco africano, que conta com 53 países.    

Para que seja implementada, uma reorganização no órgão precisa ter o aval de 128 países, o equivalente a 2/3 dos 192 sócios das Nações Unidas.    

Nesta sexta-feira, o embaixador da França na ONU, Jean-Maurice Ripert, disse que espera para julho um acordo sobre o assunto. O representante da Itália, Giulio Terzi, explicou que seu país é favorável a uma "reforma imediata", em "um processo rápido que leve a um consenso mais inclusivo, eficaz e representativo".

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