María Peña Washington, 15 mai (EFE).- O embaixador da Venezuela nos Estados Unidos, Bernardo Álvarez, afirmou hoje à Agência Efe que o relatório que a Interpol divulgará em Bogotá não contém provas do suposto apoio financeiro do Governo venezuelano às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O diplomata venezuelano não descartou a possibilidade de as supostas provas terem sido manipuladas e disse que tem muitas "dúvidas" sobre os computadores apreendidos junto ao grupo rebelde.

"Tudo é possível. Muito antes da análise das provas, o Governo colombiano fez acusações temerárias, falsas e exageradas sobre a Venezuela", disse Álvarez, para quem há muitas "dúvidas" sobre os laptops apreendidos que pertenceram a Luis Edgar Devia, conhecido como "Raúl Reyes", ex-guerrilheiro das Farc, morto em 1º de março.

Para o diplomata, "não há evidências" nos computadores, mas eles podem conter "informações, testemunhos, que não são provas suficientes para acusar alguém".

Álvarez fez essas declarações durante um encontro no Congresso com o ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, um dos seis civis libertados pelas Farc no início de 2008.

O diplomata ainda lembrou que o relatório da Interpol será divulgado no mesmo momento em que os congressistas dos EUA expressam sua preocupação com o andamento das negociações em torno de uma libertação humanitária.

Calcula-se que as Farc mantenham cerca de 700 reféns em seu poder, entre policiais, militares, políticos e civis colombianos, além de três americanos.

Por volta de 40 reféns fazem parte de uma lista que a guerrilha pretende "trocar" por cerca de 500 rebeldes presos.

"Todas essas supostas provas e acusações que foram feitas serviram para paralisar o acordo humanitário", disse o embaixador venezuelano.

Álvarez insistiu que a Venezuela "tem uma função" e segue disposta ser a mediadora do conflito entre o Governo colombiano e as Farc, pois sua mediação contribuiu para a libertação de Pérez e outros cinco reféns.

No encontro de hoje, Pérez reiterou seu pedido para que a comunidade internacional rejeite as operações de resgate militar, como propõe o Governo da Colômbia.

Já o diplomata se mostrou favorável a uma união de esforços entre Venezuela, França e outros países da comunidade internacional para conseguir a libertação dos seqüestrados.

"Os familiares querem o acordo humanitário. O Governo dos Estados Unidos precisa assumir uma posição (...) porque há americanos detidos lá e colombianos, aqui", especificou Álvarez.

O Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, disse que, por enquanto, os dados divulgados no relatório da Interpol são "perturbadores", embora prefira esperar aguardar a análise do conteúdo dos computadores.

McCormack se referia a informações sobre a suposta ajuda de Chávez às Farc. O porta-voz qualificou o suposto apoio como uma "acusação grave" e afirmou que os EUA estão realizando sua própria análise do conteúdo dos computadores. EFE mp/plc

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.