Embaixador sudanês critica ordem de detenção contra presidente

Nações Unidas, 4 mar (EFE).- O embaixador do Sudão perante a ONU, Abdalmahmood Abdalhaleem Mohamad, exigiu hoje que seja rejeitada a ordem de detenção emitida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente Omar al-Bashir, por considerá-la parte de um complô ocidental.

EFE |

"Exigimos que seja desprezado este complô criminoso contra o país", disse Mohamad em entrevista na sede das Nações Unidas.

O diplomata reiterou a recusa do país em cooperar com o processo contra Bashir no tribunal com sede em Haia, ao qual qualificou de "instrumento de chantagem" das nações ocidentais interessadas em desestabilizar o Sudão para ficar com a riqueza petrolífera do Estado.

"Condenamos a decisão e, para nós, o TPI não existe. Não consideramos suas decisões vinculativas e não cooperaremos", afirmou.

A sala preliminar do TPI emitiu hoje uma ordem de detenção contra Bashir por suposta responsabilidade em crimes de guerra e de lesa-humanidade no conflito de Darfur.

Apesar disso, Mohamad assegurou que o presidente sudanês seguirá viajando ao exterior quando for convidado por países amigos e tem a intenção de continuar o processo de paz de Darfur mediado pela ONU e pela União Africana (UA).

"A Corte se transformou na corte da justiça euroamericana e há uma opinião generalizada na África de que somente atua em casos africanos", afirmou.

O embaixador assegurou em Cartum que pedirá na próxima cúpula da UA aos 30 países africanos membros do Tratado de Roma que revejam seus vínculos com o tribunal internacional.

Ao mesmo tempo, garantiu que o Sudão continuará cumprindo os compromissos com as agências das Nações Unidas e com as duas missões de paz que a organização tem desdobradas em seu território.

No entanto, advertiu de que "atuarão com firmeza contra qualquer organização que viole nossa hospitalidade e nossa legislação", em referência ao fato de o Governo sudanês ter decretado a expulsão, horas antes, de dez organizações de ajuda estrangeiras.

O diplomata criticou as organizações humanitárias e de direitos humanos, os artistas e os "desocupados em busca do que fazer" que soltam "lágrimas de crocodilo pelo povo de Darfur".

"A situação em Darfur exagerou e todo o mundo se intrometeu em um assunto que é interno", afirmou.

Mohamad afirmou que o país recebeu expressões de solidariedade da maior parte dos 192 membros da ONU, que apoiam uma intervenção do Conselho de Segurança para suspender o processo contra Bashir.

Ele acusou Estados Unidos, Reino Unido e França de ser os que, com seu poder de veto, impediram que o principal órgão da ONU invoque o artigo XVI do Tratado de Roma, que autoriza a adiar as ações do TPI. EFE jju/db

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