Paris, 19 ago (EFE).- O embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitri Rogozin, negou hoje que a Rússia tenha instalado mísseis táticos na região separatista georgiana da Ossétia do Sul que poderiam chegar à capital da Geórgia, como foi falado nos Estados Unidos.

"Não, não, não", respondeu Rogozin a perguntas sobre a instalação de mísseis em uma entrevista à emissora "France Inter".

O embaixador acrescentou que "não é possível atacar" a capital da Geórgia, Tbilisi.

Rogozin garantiu que teve início a retirada das tropas russas "do território da Ossétia do Sul", apesar de assinalar que a aplicação do plano de paz levará "alguns dias".

"A retirada completa depende da política" do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e "da ação de suas forças", disse.

O embaixador completou: "Em todo caso, queremos acabar com este pesadelo o mais rápido possível".

O acordo de cessar-fogo, de seis pontos, assinado por Rússia e Geórgia, com a mediação do presidente francês e temporário da União Européia (UE), Nicolas Sarkozy, prevê a retirada de todas as tropas russas que entraram na Geórgia.

Jornalistas que estão no local do conflito dizem que não viram passar ontem à noite nenhum carro de combate ou veículo russo de transporte de tropas pela fronteira a caminho da Rússia, embora um general russo tenha anunciado ontem o começo da "retirada".

Após reafirmar que a retirada começou, Rogozin disse que o Kremlin deve fazer "tudo o que for necessário para neutralizar toda possibilidade de revanche" por parte de Mikhail Saakashvili, "que é o agressor".

E assegurou que "pacificadores" russos permanecerão na Ossétia do Sul para "manter a paz" em virtude do plano de paz.

"(Os pacificadores) têm um mandato internacional. Estão ali de forma legítima. Devem continuar ali para manter a paz", argumentou Rogozin.

O embaixador russo chamou o presidente da Geórgia de "nazista" e o criticou por dizer que a Rússia já não é mais uma parceira.

Quanto à advertência dos EUA de que não permitirão que a Rússia "desenhe uma nova linha vermelha diante de Estados que não pertencem à estrutura transatlântica, como Geórgia e Ucrânia", Rogozin questionou sobre como é possível falar da chance da integração da Geórgia à Otan após "o massacre organizado por Saakashvili".

"É o mesmo que integrar Saddam Hussein ou Hitler à Otan", disse o representante russo. EFE al/fh/fr

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