Embaixador dos EUA diz que reação russa na Geórgia foi legítima

MOSCOU (Reuters) - Os Estados Unidos fizeram na sexta-feira um raro afago diplomático na Rússia, quando seu embaixador em Moscou disse que o Kremlin reagiu de forma legítima à ação militar da Geórgia na Ossétia do Sul e aos ataques contra seus soldados. Várias autoridades dos EUA, inclusive o presidente George W. Bush, criticaram duramente a ação militar russa como um todo -- que expulsou as forças georgianas da Ossétia do Sul e ocupou partes da Geórgia. Mas, em geral, Washington evitava comentar os fatos que levaram ao conflito.

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A guerra no Cáucaso começou no dia 7, quando a Geórgia mobilizou tropas para tentar reassumir o controle da Ossétia do Sul, uma região separatista e etnicamente diversa, que desde 1992 goza de autonomia sob proteção russa.

Em sua primeira entrevista importante no cargo de embaixador em Moscou, John Beyrle disse ao jornal russo Kommersant que o conflito pode afetar a confiança dos investidores norte-americanos na Rússia.

'Agora vemos forças russas -- que reagiram a ataques contra tropas de paz russas na Ossétia do Sul, legitimamente --, vemos essas forças agora tendo avançado para o solo da Geórgia. A integridade territorial georgiana está em questão aqui', disse Beyrle ao jornal.

De acordo com ele, os EUA não aprovaram a ação militar inicial da Geórgia, ocorrida após uma sucessão de tensos movimentos.

'Não queremos ver um recurso à violência e à força, e deixamos isso claríssimo (à aliada Geórgia)', disse Beyrle.

Fontes da embaixada dos EUA confirmaram o teor das declarações dele ao jornal.

'O fato de que estávamos tentando convencer o lado georgiano a não dar este passo é uma clara evidência de que não queríamos que isso acontecesse', afirmou o diplomata na entrevista, publicada na sexta-feira.

'Vimos a destruição da infra-estrutura civil, bem como apelos de alguns políticos russos para mudar o governo democraticamente eleito da Geórgia. Alguns questionam a integridade territorial da Geórgia. Por isso acreditamos que a Rússia foi longe demais', declarou.

De acordo com Beyrle, os EUA continuam apoiando a adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio, discutida há mais de uma década. 'Mas investidores norte-americanos agora olham a situação da Rússia com preocupação e se fazem perguntas.'

(Por Conor Sweeney)

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