Embaixador do Irã desmente fala sobre programa nuclear

Por Zahra Hosseinian TEERÃ (Reuters) - Um alto funcionário do governo iraniano negou que tenha feito qualquer declaração sinalizando que o Irã está disposto a negociar com o Ocidente o futuro do seu programa nuclear, informou a TV estatal nesta terça-feira.

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A mesma rede, mais cedo, havia afirmado que Ali Asghar Soltanieh, embaixador do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), tinha anunciado "que o Irã está pronto para participar de qualquer negociação com o Ocidente, baseada em respeito mútuo".

Mas a TV estatal, sem explicar de onde saiu a reportagem inicial, transmitiu mais tarde que Soltanieh negava qualquer entrevista ou comentário sobre o assunto.

"As principais políticas do Irã não mudaram, com a busca de atividades nucleares pacíficas dentro do âmbito da AIEA", afirmou Soltanieh.

Os Estados Unidos deram prazo até setembro para que o Irã aceite uma proposta internacional para receber benefícios comerciais em troca de suspender seu programa de enriquecimento de urânio. Do contrário, o país estaria sujeito a novas sanções.

O Ocidente acusa o Irã de estar desenvolvendo armas nucleares, enquanto Teerã garante que seu objetivo é apenas gerar eletricidade com fins civis.

As denúncias de fraude e os protestos pós-eleitorais no país mergulharam o Irã na sua pior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo profundas divisões na elite governante e piorando ainda mais as relações com o Ocidente.

A liderança do regime acusou Washington de estimular os protestos, e os EUA condenaram duramente a repressão do governo às manifestações. No mês passado, o presidente reeleito Mahmoud Ahmadinejad prometeu "derrubar a arrogância global," numa alusão aos EUA e seus aliados.

Obama inicialmente deu prazo de um ano para que seu governo revisse suas políticas de envolvimento com o Irã, mas depois antecipou a data para setembro, de modo a coincidir com uma reunião do G20 (bloco de países desenvolvidos e emergentes).

Teerã vem evitando há meses uma resposta, o que segundo diplomatas ocidentais serve para que o governo ganhe tempo no enriquecimento de urânio.

Questionado sobre o prazo de setembro, um porta-voz da chancelaria iraniana disse em julho que "o povo iraniano sempre saúda o diálogo, mas dentro de um marco que salvaguarde nossos interesses nacionais."

"Naturalmente levamos a sério a defesa dos nossos direitos nucleares... e não iremos aceitar quaisquer limites a esse respeito," acrescentou o porta-voz.

(Reportagem adicional de Reza Derakhshi)

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