Embaixador colombiano diz que Ortega não deve dar refúgio às Farc

Manágua, 24 jul (EFE) - O embaixador da Colômbia na Nicarágua, Antonio González, disse hoje que a melhor contribuição à paz em seu país que o presidente nicaragüense, Daniel Ortega, pode fazer seria não dando refúgio a rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na nação.

EFE |

Em entrevista ao jornal "La Prensa", de Manágua, González disse que "a melhor contribuição à paz (do presidente Ortega) seria não dando refúgio, não fazendo reconhecimentos e não facilitando nem estimulando as Farc a continuar a luta armada".

Segundo o diplomata, "o que (Ortega) faz é gerar uma falsa expectativa, aumentar a falsa percepção de que (a guerrilha) pode chegar a ter acesso ao poder (pelas armas), quando isso está totalmente deslegitimado" pela comunidade internacional.

González reiterou que qualquer mediação no conflito colombiano deve de ser autorizado pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe.

O diplomata colombiano disse que foram libertados 15 reféns do grupo, entre eles a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, Bogotá abriu as possibilidades de estabelecer um diálogo direto com as Farc.

Segundo o "La Prensa", González afirmou, no entanto, que o secretariado da guerrilha "desestimou" a possibilidade de estabelecer o diálogo na Colômbia.

As Farc enviaram este mês uma carta aberta a Ortega para pedir um encontro dirigido a falar de "assuntos da guerra e da paz", convite que o presidente nicaragüense aceitou em público.

Perante o protesto formal de Bogotá através de uma nota diplomática, Ortega aproveitou a cerimônia de aniversário do triunfo da revolução popular sandinista, no sábado, para responder, também em público, que "não precisa de permissão de ninguém" para lutar pela paz.

O diplomata destacou que a Colômbia veio denunciando e pondo em conhecimento da comunidade internacional "a sistemática ingerência do presidente Ortega nos assuntos internos da Colômbia".

Sobre a suposta presença em Manágua, no fim de semana passado, de um grupo de seis guerrilheiros colombianos, que supostamente se reuniu com Ortega, o embaixador da Colômbia na Nicarágua ressaltou que não tem "qualquer informação oficial" e que a única versão que conhece é a que publicou o "La Prensa" então.

Se fosse confirmada a versão da imprensa, que causou "muita expectativa e inquietação" na Colômbia, acrescentou, seria "um fato muito grave, uma violação do ponto de vista de todas as normas internacionais e de todas as normas interamericanas que, neste momento, vigoram na luta contra o terrorismo". EFE fm/db

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