WASHINGTON - O embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Ruy Casaes e Silva, pediu nesta segunda-feira uma resposta taxativa da comunidade internacional diante da falta de disposição ao diálogo do governo de Honduras.


"Não tenho dúvida de que existem as condições para dizer que há uma ameaça à paz internacional e nesse contexto a comunidade internacional deve responder de maneira inequívoca, de forma absolutamente taxativa", afirmou.

"Parece que o regime de facto não tem nenhuma disposição de negociar", disse o embaixador, durante o conselho extraordinário na OEA. "No diálogo que houve há algumas semanas não se mostrou claramente qual é a verdadeira disposição dos dirigentes do regime de facto".

Para o embaixador, "a cada minuto introduziam um ponto novo, uma condição nova, porque para eles tanto faz que a OEA tenha suspendido o Estado hondurenho".

"Estaríamos nos enganando se pensássemos que podemos estabelecer um diálogo com essas pessoas", disse o representante brasileiro, que considerou que a declaração do estado de emergência por parte do governo hondurenho "é uma prova inequívoca da disposição de não dialogar".

"Querem manter um regime mais fechado e autoritário", considerou o diplomata brasileiro, para quem a única coisa que o governo procura é "permanecer" no poder, ignorando as advertências da comunidade internacional, em uma "tática suicida". Na sua opinião, "chegou o momento de avançar e de dar um passo adiante na defesa de sua missão diplomática".

O embaixador negou que o Brasil tenha estado por trás da entrada de Manuel Zelaya em Honduras. "Isso é uma grande mentira", assegurou. Segundo ele, o líder deposto se apresentou na embaixada do Brasil pedindo para ser recebido. "A reação de nosso governo ao pedido de um presidente é dar asilo a ele e não podíamos ter feito nenhuma outra escolha", completou.

Casaes e Silva assinalou que a situação é "grave" e advertiu que pode se tornar "dramática". Por isso, explicou, o Brasil fez um pedido ao Conselho de Segurança da ONU para que convoque uma reunião que se dedique a tratar a situação da segurança da embaixada.

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