Embaixador argentino no Uruguai acredita encontrar restos da nora de Gelman

As buscas pelos restos mortais da nora do poeta argentino Juan Gelman, desaparecida no Uruguai em 1976, poderão ter avanços importantes com a extradição para Buenos Aires do militar uruguaio Manuel Corderno, disse neste domingo o embaixador argentino em Montevideo, Hernán Patiño.

AFP |

"Não tenho dúvidas que a prisão de Cordero e sua remoção para a Argentina são um passo à frente, porque em algum momento vão falar perante a justiça e a impunidade desses sem-vergonhas acabará", disse à AFP Hernán Patiño Mayer, que deixa, no próximo dia 20 de fevereiro, o cargo que ocupou por oito anos.

Cordero é um militar da reserva acusado de participar de atos repressores no território argentino na década de 1970, e foi extraditado há uma semana para a Argentina vindo do Brasil, onde foi detido após vários anos foragido.

María Claudia García, nora de Juan Gelman, foi presa em agosto de 1976 na Argentina com 17 anos e levada até o Uruguai, onde deu à luz uma menina e depois desapareceu, durante a Operação Condor que coordenou a repressão das ditaduras no Cone Sul.

Em 2006, um informe do Exército uruguaio afirmou que ela foi enterrada em um quartel militar, mas seus restos não foram encontrados.

"Eu te prometi que ia fazer todo o possível para encontrar os restos da sua mãe, não conseguimos ainda, mas vamos por um bom caminho", disse Patiño a Macarena Gelman, neta do poeta, durante a reunião de despedida do Uruguai do diplomata, comemorada no sábado em Nueva Helvecia.

Patiño afirmou que durante sua gestão fez tudo o que era humanamente possível, mas "os responsáveis por resolverem esse assunto não ajudaram e seguiram mantendo um pacto mafioso de silêncio que eu não pude romper, mas estou certo que o pacto acabará se quebrando", falou, em alusão às violações dos direitos humanos cometidas pelos militares.

Devido ao caso Gelman, o Uruguai foi intimado a comparecer perante a Corte da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, no primeiro caso contra o Estado uruguaio que chega ao tribunal.

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