Embaixador americano deixa a Bolívia em momento crítico das relações bilaterais

O embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, retorna neste domingo para seu país, após ter sido expulso pelo governo de Evo Morales no pior momento das deterioradas relações entre os dois países, acusado de conspirar e incentivar o separatismo da oposição boliviana.

AFP |

Antes de deixar a Bolívia, Goldberg alertou que sua expulsão "pode ter efeitos sérios de muitas maneiras", incluindo na luta contra o narcotráfico.

"Esta decisão pode ter efeitos sérios de muitas maneiras, que não foram avaliadas apropriadamente, ao que parece", disse Goldberg, que leu um comunicado em sua última ação oficial no país.

O embaixador referiu-se particularmente à luta contra o narcotráfico, que na Bolívia conta com uma ajuda econômica e logística dos Estados Unidos que supera os 100 milhões de dólares anuais.

O tráfico de drogas "é um problema que deve ser enfrentado com determinação, antes que esta praga se espalhe ainda mais em nossas sociedades", afirmou.

"Juntos, podemos enfrentar este problema, mas sem colaboração vamos fracassar", acrescentou.

"A decisão do presidente Morales de baixar o nível de nossas relações bilaterais constitui um grave erro", em uma relação diplomática que se mantém "historicamente por mais de um século", insistiu.

Morales havia declarado que "o governo boliviano tomou uma decisão não por fragilidade e sim por dignidade e pela soberania dos povos ao declarar persona non grata o embaixador dos Estados Unidos", aludindo a declarações do porta-voz do departamento de Estado americano, Sean McCormack.

McCormack, por sua vez, disse que Morales e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, agiram por pura "fragilidade" ao expulsar os respectivos embaixadores americanos de seus países.

Goldberg negou as acusações feitas pelo governo boliviano para justificar sua expulsão, afirmando que nunca participou de um complô contra o presidente nem declarou apoio aos cinco governadores rebeldes.

"As acusações feitas contra mim, contra a embaixada, contra a Usaid, contra meu país e contra meu povo são completamente falsas e injustificadas", declarou.

Para o representante americano, seu trabalho à frente da embaixada em La Paz tinha o objetivo de apoiar "a democracia e o desenvolvimento da Bolívia, embora alguns não queiram reconhecer isso".

rb/ap

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