Embaixada do Brasil está sitiada e foi alvo de gás, diz encarregado

TEGUCIGALPA - O encarregado de negócios da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, Francisco Catunda, afirmou neste sábado que a sede diplomática está sitiada e negou que a situação esteja normal, como disseram as autoridades de fato hondurenhas.

EFE |


Catunda confirmou que um funcionário da embaixada sentiu os efeitos do gás lançado contra o local. "Está tudo sitiado, não temos telefone, estamos totalmente cercados, isolados", disse Catunda a jornalistas ao sair da embaixada, onde foi substituído hoje pelo ministro conselheiro do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lineu Pupo de Paula.

AFP
Após 90 dias desde a queda do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, manifestantes protestam em Tegucigalpa
Após 90 dias desde a queda do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, manifestantes protestam em Tegucigalpa


Catunda contou que ficou "cinco dias preso" e que teve que fazer "todo um ritual" para poder sair da embaixada, onde se encontra o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, desde a segunda-feira passada, quando retornou ao país de surpresa quase três meses depois do golpe que o derrubou.

"Nada está normal", respondeu o encarregado ao ser questionado sobre declarações dadas ontem pelo presidente de fato, Roberto Micheletti, sobre a situação na sede diplomática nas quais assegurou que tudo corria com normalidade no local.

Catunda confirmou que foram sentidos na sexta-feira os efeitos de um gás tóxico que havia deixado algumas pessoas com irritações de garganta, como denunciou Zelaya. "Realmente um de nossos funcionários sentiu isso (o gás)", sustentou o encarregado de negócios.

Catunda manifestou, no entanto, que do lado de dentro "não há nenhum clima catastrófico, a embaixada está limpa, há equipes de limpeza e as pessoas estão bem".

O encarregado afirmou que o presidente deposto é "hóspede oficial" da embaixada e que não está a par do que Zelaya "faz ou dos contatos que ele mantém", ao lembrar que há no local 63 pessoas do grupo de Zelaya e quatro funcionários da sede diplomática, dois deles brasileiros.

"Nossa atuação é dar assistência logística, tratá-lo com educação, com cortesia, e sempre desejando que o ambiente na embaixada seja o mais calmo possível", afirmou.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou nesta sexta-feira as "ações de intimidação" contra a embaixada brasileira, enquanto Micheletti negou que haja interceptação de ligações telefônicas da sede diplomática ou lançamento de gases em direção ao edifício.

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