multilateralismo dos EUA - Mundo - iG" /

Em Washinton, Ban abraça o novo multilateralismo dos EUA

Paco G. Paz Washington, 10 mar (EFE).

EFE |

- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, obteve hoje a adesão da ONU ao novo multilateralismo que quer impor em seu mandato, o qual fará com que estes dois grandes atores internacionais trabalhem lado a lado em crises como a de Darfur ou no combate à mudança climática.

Nesta terça-feira, Obama se reuniu pela primeira vez com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que viajou até Washington para buscar o apoio dos EUA na grave crise do Sudão. E, ao que parece, conseguiu.

Ao término da reunião, Obama classificou como inaceitável a gravidade da crise em Darfur, e, juntos, pediram ao Governo sudanês que permita o retorno das organizações humanitárias expulsas, do contrário a crise alcançará "dimensões grandiosas", segundo o chefe de Estado americano.

Ban, que frisou que 2009 será "um ano decisivo" para a ONU, declarou sua admiração pela "liderança visionária" de Obama e, em seguida, pediu-lhe ajuda em questões como as crises humanitárias, a recessão econômica e o combate à mudança climática.

Na reunião, os dois líderes também conversaram sobre o Afeganistão, para onde os EUA devem enviar cerca de 17 mil nos próximos três meses, e a mudança climática, um dos aspectos nos quais o novo Governo americano se reconciliou com a ONU.

As Nações Unidas e os EUA, o maior contribuinte da organização, parecem iniciar um período de lua-de-mel, após as diferenças potencializadas com a invasão do Iraque durante o mandato de George W. Bush, uma ação militar que nunca foi autorizada pelo Conselho de Segurança (CS) da ONU.

Superado esse distanciamento, Obama quis deixar claro nesta terça que sua política internacional será guiada pelo consenso e a colaboração.

"Penso que as Nações Unidas podem ser um parceiro extraordinariamente construtivo e muito importante para levar a paz e a estabilidade dos povos de todo o mundo", declarou o presidente.

Hoje foi a primeira vez que os dois líderes se reuniram desde que Obama tomou posse, em 20 de janeiro.

Após as distensões vividas há alguns anos, agora o Governo de Barack Obama vê a ONU como um "veículo para melhorar a segurança nacional" e possibilitar o alcance de suas metas em política externa, afirmou há poucos dias a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice.

A diplomata, que participa das reuniões do Executivo de Obama, também esteve presente no encontro do chefe de Estado com Ban.

Na verdade, a ONU está condenada a ter uma boa relação com os EUA, país que, além de abrigar sua sede, assegura um quarto do orçamento de US$ 4,860 bilhões da entidade.

Os EUA, além disso, têm um enorme peso no CS, do qual é membro permanente com direito a veto, o que, por outro lado, lhe garante uma grande capacidade de influência nas políticas das Nações Unidas e nas nomeações para os principais departamentos e agências da organização.

A eleição de Ban como sucessor do ganês Kofi Annan foi bem-vista pelo Governo de George W. Bush, dado o perfil pouco beligerante e cooperativo do sul-coreano.

Ban foi hoje a Washington a convite de Obama. Em seus três dias de estada, ainda deve se encontrar com a secretária de Estado, Hillary Clinton, com quem se reuniu na semana passada na conferência para a reconstrução de Gaza no Egito e também com líderes do Congresso.

Na reunião desta terça-feira, os dois líderes falaram da grave crise econômica que vive o planeta, "que não está afetando apenas as nações desenvolvidas" e que requer uma coordenação internacional para evitar uma "potencial ameaça à distribuição de alimentos", disse Obama. EFE pgp/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG