Em vitória para golpistas, Zelaya prepara saída de Honduras

Por Sean Mattson TEGUCIGALPA (Reuters) - No dia em que um novo presidente toma posse, o líder deposto de Honduras, Manuel Zelaya, vai deixar o país na quarta-feira, sem que a pressão dos EUA e da América Latina tenha conseguido reverter o golpe que o derrubou em junho.

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O Congresso concedeu anistia política a Zelaya na noite de terça-feira, o que não afeta as acusações penais contra ele e não deve alterar seu plano de partir para o exílio, inicialmente na República Dominicana.

Conhecido pelo bigode e pelo chapéu de boiadeiro, Zelaya está refugiado desde setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa, a qual está cercada por mais de cem soldados e policiais com ordens para prendê-lo.

Mas, graças a um acordo entre o presidente eleito Porfirio Lobo e o governo dominicano, ele deve receber um salvo-conduto para deixar a embaixada e seguir para o aeroporto, logo depois da posse de Lobo.

O novo presidente foi eleito em 29 de novembro, num pleito que não foi reconhecido pelo Brasil e por outros governos latino-americanos, devido ao fato de ter sido organizado pelo governo de facto que assumiu o poder depois do golpe.

"Tenho um convite (...) para ir à República Dominicana e irei aceitar o convite, obviamente com a aprovação do novo governo", disse Zelaya a uma rádio local na terça-feira.

A partida dele marca um fracasso da diplomacia regional para tentar reverter o golpe, já que vários meses de negociações com o governo de facto para a restituição de Zelaya no poder terminaram sem acordo.

O Brasil, querendo demonstrar poder político na região, ofereceu refúgio a Zelaya, e seus seguidores transformaram a sede diplomática em um caótico acampamento sob cerco militar.

O presidente de facto, Roberto Micheletti, nomeado pelo Congresso no dia do golpe, aferrou-se ao poder apesar da pressão internacional, o que incluiu a suspensão de ajuda financeira dos EUA e de organismo internacionais. Desde o momento do golpe Micheletti dizia que só entregaria o poder ao presidente que fosse eleito em novembro.

Grupos de direitos humanos relataram sérios abusos nesse período, inclusive mortes, durante a repressão a manifestações pró-Zelaya e a veículos de comunicação simpáticos a ele.

Lobo, um rico latifundiário oriundo da mesma província rural que Zelaya, diz que seu principal objetivo é superar a crise, a pior das últimas décadas na América Central, e recuperar a ajuda internacional.

"Sei que vamos normalizar (as relações) com todos", disse Lobo a jornalistas na véspera da posse.

Honduras, que depende das exportações de café e produtos têxteis e das remessas financeiras de emigrantes, já sofria antes do golpe com a crise financeira global.

Num sinal de que o país tenta deixar o golpe para trás, a Suprema Corte inocentou na terça-feira a cúpula militar do país de acusações de abuso do poder decorrentes do golpe.

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