Em visita, Sarkozy busca aproximação com Síria

O presidente francês, Nicolas Sarkosy, inicia nesta quarta-feira uma visita de dois dias à Síria, a primeira em cinco anos de um líder ocidental ao país árabe. Correspondentes dizem que o presidente francês está determinado a se aproximar da Síria, inimiga de longa data dos Estados Unidos e de Israel, e ajudar o país a sair de seu isolamento internacional.

BBC Brasil |

A Síria, a exemplo do Irã, é acusada pelo governo americano de buscar armas biológicas e químicas e de apoiar grupos rebeldes no Iraque. Assim como o Irã, também, a Síria sofre sanções impostas pelos EUA.

Segundo o jornal sírio Al Watan, a visita enviaria uma "mensagem de amizade" aos sírios.

Em uma entrevista ao jornal, Sarkozy teria dito que "a Síria pode fornecer uma contribuição única para resolver as questões do Oriente Médio".

Líbano
Em julho, Sarkozy recebeu o presidente sírio, Bashar Al-Assad. Durante a visita em Paris, diplomatas sírios e libaneses concordaram em abrir uma embaixada síria na capital do Líbano, Beirute, e uma embaixada libanesa na capital síria, Damasco, pela primeira vez desde a década de 1940.

As relações entre Síria e Líbano, historicamente complicadas, atingiram um de seus pontos mais críticos em 2005, com o assassinato do ex-premiê libanês Rafik Hariri.

Damasco foi acusada de envolvimento no assassinato e em outros atentados contra políticos libaneses anti-Síria nos meses que se seguiram. A Síria nega qualquer envolvimento nos incidentes.

A pressão internacional que se seguiu à morte de Hariri, entretanto, acabou obrigando o governo sírio a retirar suas tropas do Líbano, encerrando décadas de ocupação.

Ambições regionais
A visita de Sarkozy sinaliza o possível surgimento de novos protagonistas nas iniciativas de mediação pela paz no Oriente Médio.

Em editorial, o conceituado jornal libanês Daily Star diz que o fato de Sarkozy realizar na quinta-feira uma mini-reunião de cúpula na capital síria com o premiê turco, Tayip Erdogan, e o emir do Catar, Xeque Hamad bin Khalifa al Thani, "não é coincidência".

O jornal lembra que a Turquia intermediou até agora quatro rodadas de negociações indiretas entre Israel e Síria. Uma nova rodada foi anunciada para a semana que vem.

"Por sua vez, o Catar ganhou as manchetes ao ajudar a resolver uma crise constitucional que antagonizava forças a favor e contra a Síria no Líbano. Além do mais, Sarkozy, Hamad e Assad são responsáveis pela presidência rotatória de instituições regionais, a União Européia, o Conselho de Cooperação do Golfo e a liga Árabe, respectivamente", afirmou o jornal.

O Daily Star afirma ser "evidente que novos países querem aumentar suas influências regionais", mas menos claro "qual o modelo que tem melhores chances de acabar com a eterna instabilidade no Oriente Médio".

Gilad Shalit
A mídia israelense afirma que a família do soldado capturado na Faixa de Gaza em 2006, Gilad Shalit, pediu ajuda de Sarkozy para a sua libertação.

Gilad é também um cidadão francês e acredita-se que o governo sírio tenha influência sobre o Hamas (grupo que controla a Faixa de Gaza), já que abriga em Damasco o líder exilado da organização, Khaled Meshal.

Correspondentes dizem que, além da relação da Síria com Israel e o Líbano, outros assuntos que devem constar da pauta de discussões são o Iraque, a crise nuclear iraniana e a influência síria nos territórios palestinos.

França e Síria devem assinar ainda vários acordos de cooperação nas áreas de extração de petróleo, saúde, agricultura, indústria e turismo, segundo a imprensa síria.

O governo de Sarkozy tem demonstrado que deseja exercer uma maior influência no Oriente Médio do que seu predecessor, Jacques Chirac.

Em julho ele liderou a criação da União do Mediterrâneo, uma organização que abriga os países da União Européia e uma série de nações do Oriente Médio e norte da África banhadas pelo mar Mediterrâneo.

No mês anterior, ele havia visitado Israel, a primeira visita oficial de um estadista francês ao país em 12 anos.

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