Em visita, Cheney pede que Ucrânia una-se ao Ocidente

Por Tabassum Zakaria KIEV (Reuters) - O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, pediu nesta sexta-feira aos líderes da Ucrânia, atualmente em conflito, que se aproximem do Ocidente, prometendo apoio norte-americano aos planos do país para ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Reuters |

Cheney desembarcou em Kiev em meio a uma crise política que rachou a coalizão governista da Ucrânia e detonou um novo debate sobre se a ex-República Soviética deveria aprofundar seus laços com a Rússia, aproximar-se do Ocidente ou manter-se neutra.

'Os EUA possuem um interesse profundo e sincero em relação ao bem-estar e à segurança dos senhores', afirmou Cheney depois de reunir-se com o presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, um político pró-Ocidente que tenta incluir seu país na Otan o quanto antes.

A melhor alternativa para a Ucrânia vencer suas ameaças, acrescentou o vice-presidente, 'é unir-se, unir-se primeiro internamente e, depois, unir-se a outras democracias.'

A visita de Cheney deve desagradar à vizinha Rússia, já irritada com o apoio dado na quinta-feira pelos EUA ao ingresso da Geórgia na Otan. O governo russo deseja manter a Ucrânia, um importante território de passagem para o gás exportado pela Rússia, como parte de sua esfera de influência.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia criticou Cheney por fazer novas promessas aos georgianos na quinta-feira, a respeito da entrada deles na aliança militar, afirmando que isso encorajava a tomada de medidas agressivas por parte da Geórgia.

Os russos e os georgianos travaram, no mês passado, um rápido conflito depois de a Geórgia ter enviado soldados para a região rebelde da Ossétia do Sul a fim de retomar o controle sobre essa área. A Rússia respondeu com uma grande contra-ofensiva.

OTAN

'As novas promessas feitas ao governo georgiano com relação a um ingresso rápido na Otan simplesmente fortalecem o perigoso sentimento de impunidade acalentado pelo regime Saakashvili (Mikheil Saakashvili, presidente da Geórgia) e encorajam as ambições temerárias dele', afirmou Andrei Nesterenko, porta-voz da chancelaria russa.

Segundo Yushchenko, a Otan é vital para proteger seu país, que compartilha parte de sua fronteira com a Rússia e que possui uma enorme população que fala russo.

Cheney reafirmou a promessa feita pela Otan em uma cúpula realizada em Bucareste sobre a Ucrânia fazer parte, algum dia, da aliança militar.

Naquele encontro, porém, os dirigentes da Otan recusaram-se a conferir à Ucrânia e à Geórgia um Plano de Ação para o Ingresso -- um primeiro passo rumo à integração desses países na aliança. Os planos dos EUA foram frustrados pela Alemanha, pela França e por outros membros da aliança.

A idéia, de toda forma, não encontra apoio total dentro da Ucrânia. Pesquisas mostram que a maioria dos ucranianos opõe-se ao ingresso do país na Otan.

Cheney visita a região para dar mostras do apoio norte-americano à Ucrânia, à Geórgia e também ao Azerbaijão, um país que amplia atualmente sua produção de petróleo.

Horas antes, em Kiev, o vice-presidente encontrou-se com a primeira-ministra ucraniana, Yulia Tymoshenko, cujo entusiasmo com a Otan arrefeceu desde que, em janeiro, a dirigente assinou uma carta de apoio ao Plano de Ação para Ingresso.

Nos últimos tempos, Tymoshenko desentendeu-se várias vezes com Yushchenko e a coalizão deles entrou em colapso na quarta-feira, depois de apenas nove meses de existência, instalando um clima de indefinição no país.

(Reportagem adicional de Conor Sweeney em Moscou, Sabina Zawadski em Kiev)

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