Em visita ao Congresso dos EUA, Hu ouve críticas de parlamentares

Segundo líder da Câmara, americanos expressaram "forte preocupação" com situação dos direitos humanos na China

iG São Paulo |

O presidente da China, Hu Jintao, teve um encontro com parlamentares no Congresso americano nesta quinta-feira, no terceiro dos quatro dias de sua visita oficial aos EUA. De acordo com relatos de participantes da reunião, o líder ouviu críticas sobre à política chinesa para os direitos humanos.

O presidente da Câmara, o republicano John Boehner, afirmou que os parlamentares "expressaram forte preocupação com as denúncias de violações dos direitos humanos na China, incluindo a repressão à liberdade religiosa".

Ainda de acordo com Boehner, os parlamentares também falaram sobre a necessidade de a China proteger a propriedade intelectual e atuar para conter o comportamento agressivo da Coreia do Norte.

AP
Hu Jintao posa para foto ao lado do senador Harry Reid em Washington

Segundo o jornal americano "The New York Times", a visita de Hu ao Congresso foi menos turbulenta do que o esperado. A expectativa era de os parlamentares fizessem críticas mais fortes à China.

No entanto, políticos ouvidos pelo jornal disseram que Hu discursou por cerca de 20 minutos e, depois, os únicos a falar foram Boehner e a líder dos democratas na Câmara, Nacy Pelosi. "Nós não tivemos a chance", afirmou o democrata Sander Levin, de Michigan.

Obama

Na quarta-feira, Hu teve uma reunião com o presidente Barack Obama. Durante o encontro de oito horas, os líderes tentaram focar em interesses comuns aos dois países, mas reconheceram diferenças importantes. Os dois presidentes prometeram cooperar para resolver a disputa a respeito da moeda chinesa. O déficit na balança comercial com a China preocupa os americanos. Os Estados Unidos importam US$ 344,1 bilhões da China, e exportam somente US$ 81,8 bilhões.

Obama disse também que a “relação positiva, construtiva e de cooperação” entre os dois países é boa para os EUA, para a China e para o mundo. “Com nossos parceiros no G20, nós passamos da beira de uma catástrofe para o início da recuperação da economia global. Com nossos parceiros no Conselho de Segurança (da ONU), nós aprovamos e implementamos as sanções mais fortes contra o programa nuclear do Irã até hoje”, disse Obama, em uma coletiva de imprensa conjunta com Hu.

Direitos humanos

Obama também pressionou a China na questão de direitos humanos. No discurso, Obama disse que quando se tratam de diferenças entre EUA e China em relação a direitos humanos, ele tem sido “franco com o presidente Hu” e as desavenças acabam sendo "motivo de tensão”. As diferenças, no entanto, não ofuscariam a busca por melhores relações em determinadas áreas, garantiu Obama. Pressionado a replicar a observação de Obama, Hu disse reconhecer pontos de vistas diferentes entre os países, mas preferiu se ater ao discurso usual de que outros países não deveriam interferir nos assuntos domésticos da China.

Apesar de admitir que “muito ainda precisa ser feito”, Hu disse que a China fez “enormes progressos reconhecidos no mundo” em relação aos direitos humanos. O líder chinês disse ainda que a China pretende continuar a manter discussões sobre direitos humanos com base no respeito mútuo e na não-interferência em seus assuntos internos.

Segundo um funcionário da Casa Branca, que pediu anonimato, Obama teria conversado com Hu também sobre o dissidente chinês Liu Xiaobo, Prêmio Nobel da Paz que está detido na China. O líder americano pediu em várias ocasiões às autoridades chinesas que libertem Liu, que conquistou em 2010 o Prêmio Nobel da Paz. O tema, no entanto, não foi mencionado na coletiva feita pelos líderes.

A visita de Hu aos Estados Unidos tem sido considerada por analistas a mais importante de um líder chinês desde 1979, quando as relações diplomáticas entre os dois países foram normalizadas.

Com Reuters, BBC e AFP

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