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Em visita ao Brasil, Betancourt descarta nova Operação Xeque

São Paulo, 5 dez (EFE).- A ex-senadora colombiana Ingrid Betancourt afirmou hoje que a Operação Xeque do Exército de seu país, que permitiu sua libertação em 2 de julho após quase seis anos de seqüestro por parte das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), não pode se repetir.

EFE |

Em coletiva de imprensa concedida em São Paulo após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Betancourt assinalou que a operação "foi extraordinária, mas não pode acontecer novamente".

Segundo ela, isso não poderia ocorrer de novo "porque a anterior se baseou no engano ao fazer as Farc acreditarem que os soldados eram seus amigos".

"Um cachorro não é enganado duas vezes", ressaltou a política, que também tem nacionalidade francesa e que disse ainda que sem a operação nunca seria libertada.

A ex-candidata presidencial completa uma viagem por vários países da América Latina para agradecer a ajuda dos Governos da região a favor de sua libertação, após seis anos em poder do grupo guerrilheiro.

"Devo minha libertação aos presidentes da América Latina. Por isso, tenho uma esperança para ir à Venezuela e agradecer também ao presidente (Hugo) Chávez pela libertação dos meus companheiros", apontou.

Em sua passagem pelo Brasil, Betancourt agradeceu ao povo brasileiro por suas mensagens de solidariedade durante o período em que ficou em cativeiro e especialmente ao presidente Lula por sua defesa no assunto da libertação dos seqüestrados na Colômbia.

Lula, segundo Betancourt, "é um líder extraordinário, que discretamente, no anonimato e em posições difíceis abordou o tema da libertação".

Betancourt lamentou a situação dos 28 reféns políticos que seguem em cativeiro "algemados, descalços e provavelmente nus", mas confiou em que esta será o último Natal em que seus companheiros estarão em cativeiro. "Na próxima vou estar com eles e suas famílias", disse.

Sobre a posição do Brasil de não qualificar as Farc como grupo terrorista, Betancourt preferiu "não entrar em discussões semânticas", mas frisou que "eles atuam como terroristas, mesmo que não gostem do termo".

A franco-colombiana descartou, por outro lado, uma possível postulação como candidata presidencial, papel que tinha em 2002 no momento em que foi seqüestrada.

"Não tenho força para a política. Tenho força para lutar pelos meus companheiros seqüestrados. Não vou aspirar à Presidência, ao Senado ou a qualquer cargo público na Colômbia", comentou.

Para Betancourt as Farc deixaram de ser um movimento revolucionário ao "matar e seqüestrar para chegar ao poder".

"Não têm nada de novo, sua doutrina é a do século XIX, obsoleta para o século XXI", afirmou.

A ex-refém antecipou que em 2009 espera se isolar com sua família, "pelo menos por uns seis meses" para escrever "um testemunho" do que viveu em cativeiro.

Sobre o atual presidente colombiano, Álvaro Uribe, Betancourt agradeceu a ele por sua libertação e disse que concorda com alguns pontos de sua política de combate às Farc, mas reclamou da falta de mais ações no campo social.

"Estou de acordo que contra as Farc tem que haver uma ação militar, mas deve haver também uma resposta social com oportunidades de trabalho para a juventude que está nas zonas de combate", concluiu. EFE wgm/rr

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