Bangcoc - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, condenou hoje a tirania da Junta Militar birmanesa e pediu à China, mentora da ditadura em Mianmar, que dê liberdades básicas a seus próprios cidadãos.

Bush, que permanecerá menos de 24 horas em Bangcoc, a partir de onde viajará na sexta-feira rumo a Pequim para assistir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, reafirmou o apoio dos EUA à luta que a dissidência birmanesa promove para instaurar a democracia em seu país.

"Perseguimos o fim da tirania em Mianmar", disse Bush em seu discurso a diplomatas, funcionários do Governo tailandês e destacados empresários do Sudeste Asiático.

O dirigente americano reiterou o apelo de seu Governo à Junta Militar presidida pelo general Than Shwe para que ponha em liberdade Aung San Suu Kyi, líder do movimento democrático birmanês e Nobel da Paz, além de outros presos políticos.

"Vamos continuar trabalhando até que o povo de Mianmar tenha a liberdade que merece", completou Bush.

As Nações Unidas e Anistia Internacional (AI) calculam que cerca de dois mil birmaneses estão presos por motivos políticos, alguns há mais de duas décadas.

Durante sua estadia na Tailândia, país ao qual chegou na quarta-feira procedente da Coréia do Sul, o presidente se reuniu com um reduzido grupo de exilados birmaneses contrários à Junta Militar do país.

Bush também disse estar "profundamente preocupado" pelo estado dos direitos humanos na China, e que se "opõe firmemente" às detenções de dissidentes.

"Os Estados Unidos acreditam que o povo da China merece liberdades fundamentais, direitos naturais de todos os seres humanos", acrescentou o presidente americano, horas antes de empreender viagem rumo a Pequim para assistir na sexta-feira à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Bush comentou que a "América mantém sua firme oposição às detenções na China de políticos dissidentes, ativistas de direitos humanos e daqueles que defendem a liberdade de culto".

O presidente acrescentou que "confiar em sua gente, com maior liberdade, é a única via pela qual a China pode desenvolver todo seu potencial".

"Estamos falando de liberdade de imprensa, liberdade de congregação e de direitos trabalhistas", avaliou Bush, criticado por alguns ativistas pró-direitos humanos por assistir aos Jogos de Pequim.

O presidente americano reconheceu, no entanto, que se sente "otimista" diante do futuro da China, e que o crescimento econômico do país asiático, impulsionado por reformas feitas pelo regime de Pequim, foram "boas para o povo chinês", como "bom para o mundo" foi seu "maior poder aquisitivo".

"A população jovem, que cresceu com liberdade para fazer comércio, pedirá, em última instância, liberdade para intercambiar idéias, especialmente em uma internet sem restrições", completou Bush.

Segundo o presidente americano, um futuro bem-sucedido e pacífico no continente asiático depende de "um forte envolvimento entre China e EUA", e, por isso, o compromisso americano na Ásia "deve ser durável".

Nesse sentido, Bush elogiou também o "papel e a liderança" da China nas negociações que têm como objetivo pôr fim ao desenvolvimento de armas nucleares por parte da Coréia do Norte.

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