SÃO PAULO - A ex-candidata à presidência colombiana, Ingrid Betancourt, que passou mais de seis anos sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse que não pretende concorrer novamente ao cargo. Não tenho força política e não gosto dessa política, afirmou Betancourt, em visita a São Paulo. Ainda não sei o que quero fazer, mas o que não quero ser é uma política colombiana.

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A ex-refém criticou o governo da Colômbia por não negociar com a guerrilha. "Em meu país, havia o pensamento de que falar dos sequestrados era dar atenção midiática às Farc", disse.

"Durante anos, o governo colombiano dificultou a possibilidade de libertar os reféns porque não negociava. Enquanto isso, minha família sofreu infinitamente."

AP

Presidente Lula se encontra com ex-refém das Farc Ingrid Betancourt


Em coletiva de imprensa, Betancourt agradeceu as dezenas de mensagens enviadas por brasileiros enquanto ela estava sequestrada. "Sem ter nada a ver com a Colômbia, essas pessoas se mobilizaram pela gente. Isto foi, pra mim, luz na escuridão", disse Ingrid, que mostrou algumas mensagens impressas e citou alguns nomes de remetentes.

Betancourt iniciou na segunda-feira, no Equador, uma série de visitas a países latino-americanos. Ela já visitou Argentina, Chile e Peru, e viajará ainda para Bolívia e Venezuela.

O objetivo da viagem da ex-refém é aprofundar as relações com autoridades latinas para reforçar as ações que favoreçam a libertação de reféns em poder das Farc. Segundo Betancourt, libertar as pessoas que ainda são mantidas reféns é seu objetivo de vida.

Encontro com Lula

Betancourt se reuniu hoje em São Paulo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem expressou sua "imensa gratidão" pelos esforços em favor da libertação dos sequestrados do grupo.

Ela agradeceu a Lula e ao Governo da França por "ter posto sobre a mesa de maneira discreta, mas muito efetiva", o tema da libertação. Por sua parte, o presidente pediu às Farc para deporem as armas e defendeu a importância do voto como mecanismo de luta política.

"Não se ganham eleições sequestrando pessoas, a grande "chance" de as Farc governarem na Colômbia é crer na democracia", disse o presidente, acrescentando que o Brasil está disposto a cooperar nas negociações para a libertação dos sequestrados.

"O Brasil não move um dedo sem que haja o acordo com o Governo institucional colombiano, nossa aposta é pela democracia", acrescentou.

As eleições "são o único caminho que as Farc têm", disse, ao afirmar que há 20 anos "ninguém achava" que um metalúrgico como ele chegaria a ser eleito presidente do Brasil.

Ingrid e as Farc

Betancourt foi libertada depois de passar mais de seis anos presa nas mãos de uma guerrilha de esquerda. Ela viveu dentro da selva como refém, enfrentando doenças tropicais e as dificuldades existentes em regiões de mata fechada.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram criadas em 1964 como braço armado do Partido Comunista da Colômbia. O grupo realiza ações como sequestros para financiar suas operações, junto com o tráfico de drogas. De acordo com declarações próprias, seu objetivo é lutar contra as desigualdades sociais, políticas e econômicas.

* Com informações da EFE

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