Em visita a Paris, dalai lama não foi recebido pelo Governo

Paris, 7 jun (EFE).- O líder espiritual do Tibete, o dalai lama, terminou hoje sua visita de dois dias a Paris, na qual nenhum membro do Governo o recebeu e ganhou a condecoração de cidadão de honra da capital francesa.

EFE |

Durante dois dias, o dalai lama esteve em vários atos públicos, mas o único contato com a política foi na Prefeitura parisiense, onde o prefeito, Bertrand Delanoë, cumpriu sua promessa de tornar o líder tibetano cidadão de honra.

É a terceira vez que o líder espiritual tibetano visita a França, e o Governo francês ignorou a presença do dalai lama, temeroso dos protestos da China.

Desta vez, o dalai lama deu um banho de multidões em uma conferência que pronunciou em um ginásio, e que foi acompanhada por quase 10 mil pessoas, onde não perdeu a chance de atacar o regime chinês.

"As relações com o Governo chinês são difíceis. Sua atitude é complexa, quando não brutal", disse, ao término de sua conferência.

O monge budista fez uma chamada à comunidade internacional para que interfira a favor do Tibete.

Pediu aos presentes que viajem à região para que comprovem com seus próprios olhos o sofrimento de seu povo, e convidou Pequim a abrir as portas do Tibete se realmente não há nenhum problema, como sustenta o Governo chinês.

O dalai lama disse que a luta do povo tibetano continuará até que a China retifique sua política.

"Quanto mais severa for a repressão, maior é a determinação dos tibetanos", disse.

O líder tibetano manteve ao longo de seus dois dias em Paris reuniões com a comunidade chinesa residente na capital.

Paris foi a última escala da viagem do dalai lama à Europa, que o levou a Dinamarca, Islândia e Holanda.

Em suas anteriores passagens pela França, o dalai lama também encontrou a frieza das autoridades, diante da pressão chinesa.

Em outubro de 1996, o então presidente Jacques Chirac encomendou a seu ministro da Justiça que recebesse o dalai lama em particular.

Em agosto do ano passado, enquanto na China estavam sendo disputados os Jogos Olímpicos, o dalai lama visitou um templo budista francês e se reuniu com a primeira-dama Carla Bruni e, em particular, com o ministro de Exteriores, Bernard Kouchner.

Esses encontros geraram críticas de Pequim, que se intensificou em março de 2008, quando a Prefeitura de Paris decidiu nomeá-lo cidadão de honra da cidade.

"É uma ingerência grosseira que afeta gravemente as relações franco-chinesas", escreveu a embaixada chinesa, em carta enviada a todos os vereadores parisienses. EFE lmpg/an

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