Sergio Imbert. Moscou, 10 dez (EFE).- Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, selaram hoje uma associação estratégica e defenderam a criação de uma nova arquitetura financeira global.

Os dois líderes assinaram no Kremlin uma declaração conjunta de estabelecimento de relações de associação estratégica e sete documentos bilaterais, incluindo um de cooperação no âmbito do uso pacífico da energia nuclear.

"Para desenvolver nossas relações, devemos implantar uma associação estratégica com a Argentina. É algo absolutamente necessário em um comparecimento de que ambos os líderes fizeram perante a imprensa", disse o líder russo.

Cristina, que completa hoje um ano no poder, assegurou que sua primeira visita a Moscou "não poderia ter sido mais frutífera" e ressaltou que nesta viagem esteve acompanhada por dezenas de empresários argentinos interessados em fazer negócios com a Rússia.

Os dois líderes se pronunciaram a favor de "multiplicar por dez" o comércio bilateral, que este ano rondará os US$ 2 bilhões e que Cristina quer que se estenda aos setores de altas tecnologias, energia, espaço, mineração, agricultura e pecuária.

A chefe de Estado argentina destacou a necessidade de "aprofundar uma relação que não só quer ser comercial" e de articular juntos políticas sobre "as relações internacionais".

Medvedev disse que "a postura da Rússia consiste em ter presença e trabalhar na América Latina e cooperar com os países amigos em todos os âmbitos: economia, área militar, ecologia, agricultura e a coordenação da política externa".

O presidente russo, que acaba de fazer uma viagem pela América Latina na qual visitou Brasil, Peru, Venezuela e Cuba, expressou o interesse das empresas russas de participar diversos projetos nesse continente.

Entre eles, citou a possibilidade de que companhias russas tomem parte no gasoduto entre Argentina e Bolívia e na construção da ferrovia transandina, projeto que Cristina qualificou de "crucial" para a região.

Cristina defendeu "uma nova forma de entender a cooperação, em um mundo que deve ser multipolar e multilateral, e reformular as regras monetárias e econômicas".

No mundo se deve passar "de uma relação em termos de subordinação a uma noção de cooperação", segundo a presidente argentina, que alertou sobre os graves prejuízos que a crise financeira global causará.

"A subordinação, onde os países centrais impunham políticas tanto no ramo econômico como em matéria de segurança, não funcionou nem em matéria de segurança nem na economia e os resultados terão de ser assinantes a escala planetária", assinalou.

Ela também explicou que Argentina e Rússia fazem uma grande "contribuição ao crescimento e ao Produto Interno Bruto mundial", embora se vejam afetadas por uma crise que não geraram.

Por sua vez, Medvedev ressaltou que no século XXI "é inadmissível a existência de um mundo dominado por um só Estado, por melhor sucedido que seja", em alusão aos Estados Unidos, e defendeu "uma nova arquitetura financeira global que favoreça a todos".

Cristina convidou o presidente russo e o primeiro-ministro Vladimir Putin, com quem se reuniu na véspera, a visitar Argentina.

Perante os presidentes, representantes do departamento de Energia da Rússia e do Ministério de Planejamento, Investimento Público e Serviços argentino assinaram um memorando de entendimento no âmbito energético.

Fora isso, os serviços de controle sanitários de ambos os países assinaram um anexo ao memorando sobre a inocuidade de produtos de origem vegetal (frutas e verduras frescas) da Argentina à Rússia.

As uniões de empresários e industriais e as câmaras de comércio de ambos os países também firmaram acordos.

Medvedev deu um toque mais informal ao encontro quando presenteou a presidente argentina com um gorro de pele de raposa prateado, seguindo uma recomendação feita em novembro pelo líder venezuelano Hugo Chávez, que descreveu Cristina como "uma mulher extraordinária".

"Ao lembrar a sugestão do presidente venezuelano, Medvedev decidiu dar esse presente, sobretudo levando em conta que a visita da presidente argentina coincidiu com o primeiro dia de frio invernal em Moscou", assinalou a agência de notícias "Itar-Tass".

EFE se/rr

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