Em visita a Israel, Brown diz apoiar processo de paz no Oriente Médio

Daniela Brik Jerusalém, 21 jul (EFE).- Gordon Brown deixou hoje Israel após se tornar o primeiro chefe do Governo britânico a discursar na Knesset (Parlamento israelense), onde apoiou o processo de paz com os palestinos e o direito do Estado judeu de existir.

EFE |

"Acho que uma paz histórica, conseguida com esforço, e duradoura, que pode levar segurança à região, é possível", disse Brown perante a câmara legislativa, após iniciar seu discurso em hebraico, felicitando o Estado de Israel por seu sexagésimo aniversário.

O primeiro-ministro do Reino Unido descreveu a atual liderança da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como "os melhores sócios com os quais Israel contou em uma geração" para alcançar a paz.

Ao mesmo tempo, pediu que Israel cesse a ampliação dos assentamentos judaicos, que evacue as colônias da Cisjordânia em um futuro acordo de paz, enquanto disse que os palestinos deverão cumprir suas obrigações em matéria de segurança.

Pouco antes, o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, afirmava em discurso de boas-vindas ao plenário, que após oito meses de negociações de paz com os palestinos, ainda restam grandes obstáculos no caminho.

"Existem ainda profundos desacordos em questões fundamentais (...) mas podem ser resolvidos", acrescentou Olmert.

Israelenses e palestinos retomaram o processo de paz na conferência de Annapolis, realizada em novembro nos Estados Unidos.

Lá, se comprometeram a conseguir um acordo antes do final do ano, que sente as bases para o estabelecimento de um Estado palestino.

Brown afirmou que o Reino Unido irá atuar em defesa de Israel caso a sua situação de "paz, estabilidade ou existência" se encontre em perigo.

O britânico também criticou as declarações ofensvias a Israel feitas pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"Aos que questionam o mesmíssimo direito de Israel de existir e ameaçam as vidas de seus cidadãos por meio do terrorismo, dizemos: o povo de Israel tem o direito de viver aqui, em liberdade e segurança", disse Brown.

Ao referir-se ao programa atômico iraniano, o primeiro-ministro britânico ressaltou que seu país "continuará liderando", junto com os EUA e com a União Européia, a "determinação" para impedir que Teerã desenvolva armamento nuclear.

Dois dias depois que as negociações sobre o assunto estagnaram em Genebra, Brown advertiu que o Irã tem que escolher entre "suspender seu programa nuclear" e aceitar a oferta da comunidade internacional ou "enfrentar um crescente isolamento e a resposta coletiva, não de uma, mas de muitas nações".

O dirigente britânico definiu também as conquistas de Israel em seus 60 anos de história como uma manifestação da "infinita capacidade da mente e do espírito".

Após declarar-se "um amigo de Israel" durante toda sua vida, Brown falou da grande admiração que sente pelo Estado judeu, influência de seu pai, um pastor da Igreja da Escócia, que falava hebraico e impulsionava a peregrinação de grupos à chamada Terra Santa.

Brown deixou a região após seu discurso no Parlamento, depois de visitar durante dois dias Israel e os territórios palestinos.

De manhã, reuniu-se com a ministra Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, e com o titular da Defesa, Ehud Barak, assim como com o líder da oposição, o ex-chefe de Governo Benjamin Netanyahu.

Ontem, Brown se reuniu e jantou com Olmert, após visitar a cidade cisjordaniana de Belém, onde encontrou-se com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro Salam Fayyad.

Na considerada cidade-natal de Jesus, o primeiro-ministro britânico defendeu "uma solução justa" para o conflito palestino-israelense "baseada no estabelecimento de dois Estados com Jerusalém como capital para os dois povos". EFE db/ab/rr

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