Em visita à China, Ahmadinejad critica "hipocrisia" americana

No entanto, líder iraniano não criticou o governo chinês por ter aprovado as sanções

iG São Paulo |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou a "hipocrisia" dos Estados Unidos durante visita nesta sexta-feira ao pavilhão do Irã na Exposição Universal, que acontece em Xangai, na China. 

"Como podem pressionar outros países que querem desenvolver energia para propósitos pacíficos? Como podem deter um programa nuclear pacífico só pela simples razão de que ele 'poderia' ser usado para fabricar armas atômicas?", disse, reiterando que as sanções aprovadas na quarta-feira "são papel sem valor".

Ahmadinejad, no entanto, evitou censurar a China, seu principal sócio comercial, pelo fato de ter aprovado, juntamente com o restante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as sanções contra seu país , apesar de Pequim ter hesitado durante meses em impor novas punições.

"As duas nações, China e Irã, possuidoras das mais antigas civilizações, podem permanecer juntas para que o sonho (de um mundo melhor) se torne realidade", destacou o presidente perante os presentes à celebração do Dia do Irã na Expo 2010, rodeado de fortes medidas de segurança. "O principal problema é a administração dos EUA e não temos problemas com os demais", assegurou.

Ahmadinejad está na China unicamente para visitar o grande evento de Xangai, segundo o Ministério de Assuntos Exteriores chinês, que não prevê encontros entre ele e os líderes comunistas. O presidente da China, Hu Jintao, encontra-se em Tashkent (Usbequistão) para participar da cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (SCO, sigla em inglês), para a qual Ahmadinejad tinha sido convidado.

O líder iraniano cancelou de última hora sua participação na cúpula, que também terá a presença Dmitri Medvedev, presidente da Rússia, outro país que durante meses se opôs às sanções contra Teerã, mas que acabou por aprová-las no Conselho de Segurança da ONU , onde Moscou e Pequim são membros permanentes com direito a veto. O porta-voz de turno do Ministério de Exteriores chinês, Qin Gang, destacou na quinta-feira que o fato de a China aprovar as sanções contra o Irã não fecha a porta para a diplomacia.

Vínculos com o povo iraniano

Ahmadinejad não poupou críticas aos EUA, afirmando que o presidente americano, Barack Obama, cometeu um grave erro ao promover sanções na ONU em vez de estabelecer vínculos amistosos com o povo iraniano. "Creio que o presidente Obama cometeu um grave erro. Ele sabe que a resolução (do Conselho de Segurança da ONU) não terá efeito", afirmou. "Muito em breve ele se dará conta de que não fez uma boa escolha e bloqueou a via para estabelecer vínculos amistosos com o povo iraniano."

Ahmadinejad acusou ainda os EUA de proteger Israel, que, segundo suas palavras, é um país condenado. O presidente iraniano questionou os argumentos dos Estados Unidos para justificar as sanções. "Está claro que os EUA  não são contra as bombas atômicas porque tem na região um regime sionista com bombas atômicas", declarou. "Os Estados Unidos estão tentando salvar o regime sionista, mas o regime sionista não sobreviverá. Está condenado", enfatizou.

Também chamou de "instrumento ditatorial" o Conselho de Segurança da ONU, que votou as sanções contra seu país. "Acabou o tempo da intimidação e da coerção", acrescentou.

Acusou ainda as potências nucleares de quererem monopolizar a tecnologia nuclear. "As potências nucleares não deixam outros países utilizarem a energia nuclear, inclusive se for de forma pacífica. Algumas delas já utilizaram bombas destruidoras."

*Com EFE e AFP

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