Em Viena, Amorim diz que Conselho de Segurança está obsoleto

Para chanceler, órgão reflete realidade de 65 anos atrás e não foi transparente em relação a acordo alcançado por Brasil com Irã

EFE |

O chanceler Celso Amorim exigiu nesta segunda-feira em Viena uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, que, segundo ele, tem uma composição aquém "da realidade política" do planeta. Após uma reunião com o ministro de Assuntos Exteriores da Áustria, Michael Spindelegger, Amorim disse que a estrutura do órgão "reflete uma realidade de 65 anos atrás".

O Conselho de Segurança tem atualmente cinco membros com direito a veto: Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha. O Brasil é membro temporário, da mesma forma que a Áustria. Para Amorim, se o conselho quiser se adaptar à nova realidade, terá de mudar sua composição.

O chanceler criticou também a falta de transparência do atual Conselho de Segurança em relação ao acordo nuclear alcançado em meados de maio entre Brasil, Turquia e Irã . O acordo previa o envio de urânio pobremente enriquecido do Irã ao exterior (Turquia) para posterior conversão em combustível atômico para um reator científico em Teerã. Mas, como lembrou Amorim, antes de poder refletir sobre a iniciativa, o Conselho de Segurança anunciou um acordo sobre novas sanções ao Irã por seu programa nuclear .

O ministro brasileiro destacou que os membros provisórios do Conselho de Segurança se inteiraram pela imprensa do projeto de resolução e não por meio dos canais diplomáticos. "Não houve transparência", criticou o chefe da diplomacia brasileira.

Amorim ressaltou que a chamada declaração de Teerã foi negociada por Brasil e Turquia, "duas democracia impecáveis" que não representam "uma cruzada do terceiro mundo contra os EUA". "O objetivo foi criar confiança, mas (a iniciativa) não foi levada em conta", concluiu o ministro.

O Conselho de Segurança adotou há duas semanas uma nova resolução com sanções diplomáticas e comerciais ao Irã, rejeitada por Brasil e Turquia . Apesar das novas sanções, "a declaração de Teerã segue sobre a mesa", assegurou Amorim, que faz uma viagem por vários países europeus.

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