Em vídeo, supostos militantes do Taleban prometem vingar Bin Laden

Em mensagem obtida pela Reuters, combatentes dizem que morte os inspirará a continuar luta; centenas protestam no Paquistão

iG São Paulo |

Combatentes da milícia islâmica do Taleban fortemente armados, que apareceram num vídeo que mostra pessoas vestidas como militantes da linha de frente no sul do Afeganistão, disseram que a morte de Osama bin Laden os inspirará a continuar a luta até que todos os soldados estrangeiros tenham deixado o país.

A autenticidade do vídeo obtido pela Reuters no sul do Afeganistão não pode ser confirmada. O vídeo mostra seis combatentes não identificados do Taleban, todos com os rostos cobertos, com rifles de assalto, lançadores de granada, metralhadoras e outras armas.

Três deles prometeram continuar a combater as forças estrangeiras lideradas pela Otan, apesar do assassinato de Bin Laden, morto por forças dos Estados Unidos no Paquistão.

"Mesmo se a notícia do martírio de Osama bin Laden for verdade, isso não mudará nossa política de jihad (guerra santa)... se for verdade que ele está morto, isso nos dará mais motivação para continuar nossa jihad", disse um dos combatentes no vídeo.

Os combatentes falaram sob a condição de que seus nomes e localização não fossem divulgados. A Reuters obteve o vídeo no sul do Afeganistão.

"O martírio de Osama bin Laden não afetará nossa estratégia e não nos afastará de nossa meta", disse um segundo combatente. "Vamos continuar com nossa jihad e nosso sacrifício contra os infiéis até o dia do julgamento final, e vamos vingar nossos mártires."

Protesto

Centenas saíram em passeata nesta sexta-feira pelas ruas da cidade de Quetta, no sul do Paquistão, para fazer uma homenagem a Bin Laden e para convocar uma guerra santa contra os americanos.

A manifestação foi organizada pelo Jamiat Ulema e Islam (JUI), partido político ideologicamente ligado ao Taleban em Kuchlak, subúrbio de Quetta, onde a multidão gritava "Vida longa a Osama". Uma bandeira americana foi queimada. "Os serviços prestados por Osama aos muçulmanos serão para sempre lembrados", disse Abdul Qaidr Loone, jovem líder do JUI, em um discurso.

AP
Partidário de partido religioso do Paquistão segura imagem de Osama bin Laden during protesto em Kuchlak, a 25 quilômetros de Quetta
Hafiz Fazal Bareach, ex-senador e alto dirigente do JUI, afirmou que, ao matarem Bin Laden, os Estados Unidos criaram milhares de outros à sua imagem e semelhança. "Um Osama se transformou em mártir, e agora nascerão milhares de Osamas, porque ele criou um movimento contra as forças antimuçulmanas que não depende de personalidades", declarou, acrescentando que a "jihad (guerra santa) continuará contra os Estados Unidos e seus aliados".

Pressão da ONU

Representantes da ONU para os direitos humanos pediram nesta sexta-feira a Washington que revele informação relacionada ao assassinato de bin Laden para determinar se foram respeitadas as normas internacionais e se foi considerada a possibilidade de capturá-lo vivo.

"É particularmente importante saber se o planejamento da missão permitia um esforço para capturar Bin Laden", disseram em uma declaração comum os relatores da ONU sobre as execuções extrajudiciais, Christof Heyns; e sobre o respeito dos direitos humanos na luta contra o terrorismo, Martin Scheinin.

Ambos os analistas disseram que "as ações dos Estados no combate ao terrorismo, especialmente em casos muito conhecidos, constituem precedentes sobre como se tratará o direito à vida em casos futuros".

Bin Laden foi assassinado no domingo durante uma operação de comandos americanos que atacaram a residência na qual se escondia, na localidade de Abbottabad, arredores de Islamabad (Paquistão).

O líder da organização terrorista Al-Qaeda levou tiros na cabeça e no peito enquanto estava desarmado, segundo confirmaram fontes oficiais. Heyns e Scheinin assinalaram que "os atos terroristas são a antítese dos direitos humanos, e em particular do direito à vida".

Reconheceram que, em "certos casos excepcionais, o uso mortal da força pode ser permitido como último recurso, em concordância com os padrões internacionais do uso da força e a fim de proteger a vida".

No entanto, enfatizaram que, por norma geral, os terroristas devem ser tratados como criminosos, detidos conforme a lei e julgados por tribunais.

*Com Reuters, AFP e EFE

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