Em uma montanha drusa, um corpo coberto por uma bandeira venezuelana

No município de Choueifat, na montanha drusa próxima de Beirute, os corpos de três jovens, mortos em combates entre partidários da maioria governista e da oposição, estão expostos aos olhos de seus entes queridos. Um deles está coberto com a bandeira venezuelana.

AFP |

A vida de Chadi Souki, 24 anos, foi brutalmente encerrada no domingo, na garagem da casa de sua família. Ele havia acabado de chegar da Venezuela para um curto período de férias.

O jovem retornou ao país especialmente para vender um terreno que possuía, para voltar posteriormente à Venezuela, onde se casou há menos de um ano.

Mas seus planos foram interrompidos por duas balas disparadas pelas costas por homens encapuzados, afirmaram vizinhos que vieram assistir o funeral.

Souki é mais uma vítima dos violentos confrontos que o Líbano enfrenta desde 7 de maio, entre governistas e a oposição, que já deixou cerca de 62 mortos e 200 feridos.

Nas montanhas, combates entre militantes da comunidade Drusa pertencentes à maioria parlamentar e combatentes do Hezbollah deixaram pelo menos 16 mortos desde domingo.

Os Drusos, minoria muçulmana vinda do Oriente Médio, são formados por cerca de 300.000 pessoas espalhadas entre a Síria, Líbano e Israel.

De acordo com os vizinhos, Chadi Souki foi tomado pelo pânico ao ouvir os tiros ao seu redor.

"Estou cansado deste país, vou embora o mais rápido possível," teria dito Souki aos parentes antes de descer para a garagem, onde estava seu carro.

Homens encapuzados desciam a rua e atiraram contra ele e duas balas o atingiram nas costas.

"Tentamos salvá-lo, mas os pistoleiros nos ameaçaram", afirmam os vizinhos, alegando não ter dúvidas sobre a sua filiação na Hezbollah.

Em Choueifat, os edifícios estão crivados de balas e carcaças de carros queimados foram abandonadas sobre as estradas. Em alguns locais, também se pode ver buracos causados pelos foguetes.

Em algumas casas, invadidas por militantes xiitas, retratos do líder druso Walid Jumblatt, um membro da maioria anti-Síria, foram picotadas com facas.

"Aqui, aqui não é Tel Aviv", afirmou Husam, 32 anos, em uma alusão a Israel, inimigo do Hezbollah.

Quando os caixões de Souki e dos outros dois jovens, levados sobre os ombros, deixam a sala após uma oração, para serem enterrados em um cemitério próximo, uma irmã de Souki pode ser vista gritando de dor. Em seguida, desmorona, desmaiada.

"Os heróis nunca se vão", repetem as mulheres para consolá-la.

ao/fb/sd

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