Em última coletiva como presidente, Bush admite erros no Iraque

WASHINGTON - A oito dias de deixar a presidência dos Estados Unidos, George W. Bush afirmou não saber se a democracia irá sobreviver no Iraque. Essa será uma questão para os futuros presidentes, afirmou Bush em sua última entrevista coletiva no cargo.

Redação com agências internacionais |

Ao fazer um balanço de seu legado, Bush disse que fez a coisa certa ao enviar tropas extras com mais 30 mil soldados americanos para o Iraque, para diminuir a violância no país.

No entanto, afirmou que "não encontrar armas de destruição em massa foi uma decepção significativa", já que a acusação de que Saddam Hussein possuía esse tipo de armamento foi o principal argumento utilizado por Bush para justificar o início da guerra.

O presidente considerou ter sido um erro colocar um cartaz dizendo "missão cumprida" em um porta-aviões depois que ele, em 2003, declarou que as principais operações de combate no Iraque estavam concluídas. "Obviamente, anunciar 'missão cumprida' no porta-aviões foi um erro", afirmou.

Oriente Médio

Ao comentar o conflito que ocorre nesse momento na Faixa de Gaza, George W. Bush afirmou que Israel tem o direito de se defender.

"O Hamas se utiliza da violência para afetar a vida de cidadãos israelenses. É necessário evitar o rearmamento do Hamas", afirmou Bush. "Se o Hamas deseja um cessar-fogo duradouro, deve interromper os disparos de foguetes contra o território de Israel ", completou. No entanto, Bush também ressaltou que Israel tem de tomar cuidado para evitar a morte de civis durante a guerra.

Segundo o presidente dos EUA, é necessária a criação de um Estado Palestino forte, que consiga negociar a paz em conjunto com Israel. "A solução do conflito do Oriente Médio é o estabelecimento de dois Estados, duas democracias que vivam em paz", acrescentou Bush.


Bush concede entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira / AP

Transição para Obama

Questionado sobre Barack Obama, Bush afirmou que um dos maiores desafios do novo presidente, que assume no dia 20 de janeiro, será evitar um atentado terrorista em território norte-americano. "Será uma honra para mim estar na primeira fileira de sua posse, um fato histórico para a história dos Estados Unidos", disse.

"Espero que Obama seja tratado bem. Espero que o tom seja de respeito em relação a ele. Eu recebi muitas críticas injustas e acho que Obama também irá receber", antecipou Bush.

O presidente dos EUA ressaltou que a Coreia do Norte "ainda é um problema" e que é importante que  Obama coloque o programa nuclear do país sob "forte regime de fiscalização".

Crise financeira

Bush também falou sobre a crise financeira que atinge os Estados Unidos, e afirmou que pedirá ao Congresso a segunda parte do pacote de resgate financeiro no valor de US$ 700 bilhões, se Barack Obama quiser.

Bush disse que "a melhor maneira de fazer isso é convencer a membros suficientes do Congresso" para que aprovem o desembolso dos US$ 350 bilhões restantes.

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