Em tribunal, Fritzl admite estupro, mas nega assassinato

O austríaco Josef Fritzl, acusado de manter sua filha presa em um porão por 24 anos e de ter tido filhos com ela, se declarou culpado das acusações de estupro e incesto, mas se disse inocente da acusação de assassinato no primeiro dia de seu julgamento, em Sankt P¶lten, na Áustria. Fritzl é acusado de assassinato por negligência pela morte de um dos filhos que teve com sua filha Elisabeth e que morreu pouco depois de nascer.

BBC Brasil |

O austríaco teria incinerado o corpo em um forno em sua casa.

O réu de 73 anos entrou no tribunal nesta segunda-feira com o rosto escondido atrás de um fichário azul. Ele se recusou a responder perguntas dos jornalistas presentes.

O julgamento atraiu forte atenção da mídia. Em 1984, Fritzl teria levado Elisabeth para o porão de sua casa - sem janelas e à prova de som - e, desde então, teria estuprado a filha repetidas vezes.

O austríaco é acusado de seis crimes: assassinato, estupro, incesto, cárcere privado, prática de escravidão e coerção.

Elisabeth e três de seus sete filhos foram mantidos em cativeiro no porão até o caso vir à tona, em abril do ano passado, quando uma de suas filhas ficou seriamente doente e foi levada para um hospital.

Fritzl pode ser condenado a 20 anos de prisão pela prática de escravidão e até 15 anos pelas outras acusações.

Acompanhado por seis policiais e vestindo um terno cinza quadriculado e calças cinzas escuras, Fritzl percorreu o corredor que separa sua cela do tribunal na presença de jornalistas, que tentaram, em vão, fazer perguntas.

Com voz calma, Fritzl disse seu nome e deu outros detalhes pessoais à juíza.

Em seu discurso de abertura, a promotora Christiane Burkheiser disse que Fritzl usou a filha "como um brinquedo".

Burkheiser disse que o austríaco às vezes violentava Elisabeth em frente aos filhos deles. Em seguida, a promotora descreveu ao tribunal como era o porão onde os crimes foram cometidos.

"Eu estive lá duas vezes e há um clima mórbido", disse a promotora. "É úmido, é mofado e bolorento."
A promotora também acusou Fritzl pela morte de um dos filhos gêmeos que Elisabeth deu à luz em 1996.

Segundo Burkheiser, "ele não pediu qualquer socorro" quando o bebê desenvolveu problemas respiratórios, apesar dos pedidos de sua filha. "Isso, meus caros jurados, é assassinato por negligência."
O advogado de defesa Rudolf Mayer disse que seu cliente "é um ser humano, não um monstro" e apelou aos jurados que sejam objetivos.

Mayer disse que seu cliente mostrou preocupação com seus filhos ao retirar alguns deles do porão e levar uma delas para o hospital. "Um monstro mataria todos eles lá embaixo", afirmou.

Em seguida, Fritzl descreveu sua infância no tribunal. O austríaco disse ter sido um filho indesejado e que, por isso, era maltratado e agredido pela mãe.

Em sua apresentação, a juíza Andrea Humer disse que queria enfatizar que apenas uma pessoa está em julgamento, e não uma cidade ou a região.

A juíza perguntou a Fritzl algumas coisas sobre sua vida e experiência profissional, antes de pedir ao público que se retirasse da sala, já que as evidências que seriam apresentadas eram consideradas muito delicadas.

A esta altura, a juíza já havia pedido a fotógrafos e equipes de televisão que se retirassem da sala.

Estima-se que 200 jornalistas tenham ido a Sankt P¶lten para o julgamento, mas menos de cem conseguiram entrar no tribunal.

Uma zona de exclusão aérea também foi imposta sobre o tribunal para evitar que equipes de televisão usassem helicópteros para fazer imagens aéreas.

Fritzl está detido em Sankt P¶lten desde que foi preso, quase um ano atrás.

Os depoimentos de todas as testemunhas serão realizados a portas fechadas, sem a presença do público ou da imprensa, para preservar a privacidade da família.

As evidências incluem horas de depoimentos pré-gravados de Elisabeth.

Detalhes limitados dos procedimentos de cada dia serão divulgados para a imprensa todas as tardes.

A previsão é de que o julgamento dure apenas uma semana. Um veredicto é esperado para sexta-feira.

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