Em Tóquio, japoneses tentam voltar para casa após noite em abrigo

Aos poucos, principais serviços vão sendo retomados na capital do Japão. Trens voltaram a funcionar ao amanhecer deste sábado

iG São Paulo |

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Criança dorme em aeroporto de Tóquio
Os japoneses que estavam em Tóquio no momento do terremoto que atingiu diversas regiões do país tentam, na manhã deste sábado (sexta-feira à noite em Brasília), voltar para casa. Grande parte dos trabalhadores teve de passar a noite nas empresas, escolas e outros abrigos públicos por causa do tremor de 8,9 graus que devastou regiões do Japão e deixou centenas de mortos e desaparecidos.

De acordo com o relato do químico japonês Osamu Tsujimoto ao iG , colegas de trabalho que estavam em Tóquio chegaram a ficar presos no trem-bala por horas até serem resgatados. Alguns funcionários preferiram andar durante a madrugada até suas casas, outros preferiram esperar até a manhã para deixar o local de trem.

A emissora estatal japonesa NKH mostra que os congestionamentos formados nas ruas da capital japonesa na noite anterior estão menores. Em compensação, filas se formam nos terminais ferroviários com uma multidão aguardando as poucas linhas que voltaram a funcionar durante a madrugada. A maior empresa de transporte do país, a Japan Railways, transporta passageiros desde a manhã (19h em Brasília).

Enquanto japoneses tentam regressar às suas casas nos subúrbios de Tóquio, a prefeitura e o Exército abastecem os locais de abrigo com comida, água e, principalmente, cobertores, segundo a TV. O fornecimento de energia elétrica foi interrompido em algumas regiões em pleno inverno.

Reuters
Após terremoto, passageiros aguardam reabertura da estação de Kawasaki, em Tóquio

Tragédia no Japão

Um forte terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu nesta sexta-feira a costa nordeste do Japão, provocando um tsunami de ao menos sete metros em cidades na região norte do país. O último balanço oficial divulgado pelo governo informou que o tremor seguido de tsunami deixou ao menos 178 mortes confirmadas. Somando mortos e feridos, poderia haver mais de 1 mil vítimas, segundo a polícia. Só na costa de Sendai, há informações de que foram encontrados entre 200 e 300 corpos .

Previamente, a agência de notícias japonesa Kyodo, chegou a afirmar que cerca de 88 mil poderiam ter desaparecido na tragédia. A informação, porém, ainda não foi confirmada por outras fontes.

O tremor danificou o sistema de resfriamento do reator 1 da estação elétrica de Fukushima Daiichi, um dos seis da instalação localizada na cidade de Onahawa, região de Miyagi, a 270 quilômetros a nordeste do Japão. Por causa do problema, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, emitiu um alerta de emergência nuclear e anunciou um raio de 10 km de isolamento em torno da usina, que está com níveis de radioatividade 1 mil vezes acima do normal . Previamente, havia sido ordenada a retirada de milhares de residentes perto do local.

De acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), trata-se do maior terremoto  registrado no Japão e o 7° maior da história mundial . O tremor ocorreu às 14h46 do horário local (2h46 de Brasília) e teve epicentro no Oceano Pacífico, a 160 quilômetros da costa. Na quarta-feira, um tremor de 7,3 foi registrado na mesma área. O tremor foi 8 mil vezes mais forte do que o abalo que atingiu Christchurch, na Nova Zelândia, no mês passado, disseram cientistas.

Além de a costa nordeste ter sofrido vários abalos secundários após o tremor, um forte terremoto aconteceu no centro do país neste sábado (na tarde de sexta-feira em Brasília). O tsunami causado pelo tremor de 8,9 correu através do Oceano Pacífico a uma velocidade de 800 km/h - tão rápido quanto um jato -, antes de chegar ao Filipinas, Indonésia e Havaí e à Costa Oeste dos EUA, mas sem registro de grandes danos.

nullDezenas de cidades e vilarejos foram afetados pelos tremores e, no norte do país, ondas gigantes arrastaram barcos, casas, carros e pessoas, além de provocar incêndios.

Em Tóquio, os trens e o metrô pararam de circular, milhares foram retirados dos prédios no centro da cidade e os telefones celulares pararam de funcionar. Pelo menos 4 mil edifícios estão sem energia.

Na cidade de Sendai, a água inundou o aeroporto e as pistas ficaram cheias de carros, caminhões, ônibus e lama.

Depoimentos

O químico japonês Osamu Tsujimoto, de 56 anos, passou por momentos de tensão durante o terremoto. Ele estava na cidade de Kobe quando o edifício da multinacional em que trabalha, a Huntsman, começou a tremer. "O prédio balançava muito, parecia um navio em alto-mar ", afirmou ao iG .

No momento do tremor, a brasileira Kelly Taia, 27 anos, estava em sua casa na cidade de Tsu. Ela mora no Japão há sete anos. "Foi horrível! Tudo começou a balançar e eu não sabia o que fazer. Estava sozinha em casa com minha filha e fomos para debaixo da mesa .", contou ao iG .

Kelly só conseguiu fazer um breve contato com o marido, que está em Ibaraki. “A bateria do notebook dele acabou e desde então não tenho mais notícias. Quero voltar para o Brasil.”

Osamu Akiya, 46 anos, trabalhava em seu escritório em Tóquio no momento do terremoto, que provocou a queda de estantes e computadores, além de rachaduras nas paredes. "Já passei por muitos terremotos, mas nunca senti nada igual a isso", afirmou, em entrevista à agência Associated Press. "Não sei se vou conseguir voltar para casa hoje."

Destruição

Hiroshi Sato, uma autoridade da prefeitura de Iwate, no norte do país, disse que ainda é difícil ter um retrato completo da destruição. "Nós não sabemos o tamanho do prejuízo. As estradas foram muito prejudicadas e até interrompidas por causa do tsunami", explicou.

Em pronunciamento oficial, Naoto Kan afirmou que os estragos são grandes, mas que as usinas nucleares situadas no norte japonês não foram danificadas.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, pediu à população para que fique em terrenos altos e evite sair de casa.

Até agora, o mais forte terremoto do Japão tinha acontecido em 1933. Com 8,1 graus de magnitude, o tremor atingiu a região metropolitana de Tóquio e matou mais de 3 mil pessoas. Os tremores de terra são comuns no Japão, um dos países com mais atividades sísmicas do mundo, já que está localizado no chamado "anel de fogo do Pacífico".

O país é atingido por cerca de 20% de todos os terremotos de magnitude superior a 6 que acontecem em todo o planeta.

Arte/iG
Terremoto de 8,9 graus de magnitude atingiu o Japão e provocou tsunami

Com AP, EFE e BBC

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