Em telefonema a Obama, Lula pede garantias formais sobre acordo militar

BRASÍLIA ¿ O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) afirmou nesta sexta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente americano Barack Obama para pedir garantias formais de que o acordo militar entre os Estados Unidos e a Colômbia não ultrapassará o território colombiano.

Christian Baines, repórter em Brasília |

Segundo Amorim, Lula insistiu que haja garantias formais de que o equipamento e o pessoal não serão utilizados fora do estrito propósito declarado em território colombiano.

O presidente também sugeriu que o norte-americano Obama participe de uma reunião da Unasul (União das Nações Sul-Americanas). Seria útil ter reunião com o Obama na Unasul, a exemplo do que ocorreu em Trinidad Tobago. Lula disse que ele deveria tomar a necessidade de convocar uma cúpula dessa, afirmou Amorim.

Em resposta, Obama avisou que vai analisar a disponibilidade de comparecer a uma reunião da cúpula, mas destacou que vai instruir sua equipe de governo para conversar mais com o governo brasileiro a respeito das garantias informais.

Segundo interlocutores do Planalto, o governo americano sabe que cometeu um equívoco ao acertar com a Colômbia sem consultar os países da região. Isso seria um dos motivos da visita do conselheiro de Segurança Nacional americano, James Jones, ao Brasil, no mês passado.

Na conversa, Lula também demonstrou preocupação pelo fato das bases serem próximas a Amazônia. Lula reiterou respeito à soberania da Colômbia, mas salientou essa sensibilidade da região, afirmou o chanceler brasileiro.

Acordo militar

Colômbia e Estados Unidos fecharam um acordo que possibilita o uso de três bases militares colombianos pelos americanos.

Visto como compensação ao fechamento da base militar em Manta, no Equador, o acordo prevê que americanos mantenham 1.400 pessoas entre militares e civis no país nos próximos dez anos.

Zelaya

Lula também conversou sobre o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e demonstrou preocupação com a demora à volta ao poder.

Segundo o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), Lula chamou a atenção de que é importante que Zelaya volte logo e disse que não se trata de pedir que os EUA intervenham na região, mas que, dentro do marco das decisões já tomada pela OEA (Organização dos Estados Americanos), haja uma pressão adequada para que essas decisões sejam respeitadas.

Segundo o presidente Lula, apenas com a volta de Zelaya a democracia poderá ser restabelecida inha no país.

No dia 12 de agosto, Zelaya se reuniu com Lula em Brasília e o presidente se comprometeu a falar com Obama sobre o impasse no pais da America Central.

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