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Em sua luta para voltar ao poder, Berlusconi tem aliado de Prodi como rival

Juan Lara Roma, 12 abr (EFE).- Os italianos vão às urnas amanhã e na segunda-feira em eleições legislativas antecipadas, com o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi tentando recuperar a chefia de Governo em disputa contra Walter Veltroni, líder do Partido Democrata (PD), legenda idealizada por Romano Prodi.

EFE |

Três anos antes do previsto - a atual legislatura seria concluída em 2011 -, e devido à renúncia do premiê Prodi em janeiro, cerca de 50 milhões de italianos voltam de novo às urnas para escolher seus candidatos entre 32 listas de partidos.

Um deles, o Povo da Liberdade (PDL), é liderado por Berlusconi, que espera dar a volta por cima depois da derrota sofrida para Prodi e sua coligação de centro-esquerda em 2006, quando acabou derrotado por menos de 25 mil votos.

Agora, Berlusconi, de 71 anos, não terá pela frente "Il Professore" (O Professor), como é conhecido Prodi, que está na condição de chefe de Governo interino e já anunciou que abandona definitivamente a política depois do pleito legislativo.

O grande adversário de Berlusconi é Veltroni, de 52 anos, ex-comunista, ex-prefeito de Roma, ex-ministro e líder do PD, legenda criada a partir da fusão entre o Democratas de Esquerda (DS) - herdeiro do Partido Comunista Italiano (PCI) - e o Margarida, de centro.

Berlusconi chega às eleições convencido de que os cidadãos o apoiarão após dois anos do Governo de centro-esquerda - que teve o PD como uma de suas peças fundamentais - e que não tomou grandes decisões devido ao enfrentamento entre seus aliados.

Presidente do clube de futebol Milan e magnata do setor das telecomunicações, Berlusconi assegura que as pesquisas com as quais trabalha lhe dão uma ampla vitória.

Os últimos dados divulgados, em 28 de março, último dia permitido pela lei para a difusão de enquetes visando ao pleito legislativo, dão como vencedora a lista de seu partido, o PDL, na Câmara dos Deputados, embora mantenham incertezas sobre o Senado.

O PDL bateria o PD por 5 a 8 pontos percentuais para a Câmara - composta no total por 630 membros -, obtendo maioria absoluta na Casa. Mas onde o futuro é incerto mesmo é no Senado, formado por 315 integrantes.

Os indecisos, segundo as pesquisas, estão em 30%, e isso pode decidir a disputa em favor de qualquer um dos partidos.

Ao contrário de 2006, quando Prodi e Berlusconi travaram dois grandes debates na emissora pública "RAI", o agora líder do PDL e Veltroni não tiveram nenhum grande confronto na TV este ano.

O magnata justifica a mudança dizendo que há dois anos havia apenas dois candidatos à chefia de Governo, e que agora estes são cerca de 15 - embora os únicos com chances de vitória sejam ele e Veltroni -, o que dificultaria a organização de debates.

Tirando discussões em temas como procedimentos eleitorais e a possível venda da companhia aérea Alitalia à franco-holandesa Air France-KLM, e as críticas feitas pelo aliado de Berlusconi Umberto Bossi, que aqueceram a campanha, esta se desenvolveu de forma tranqüila.

Veltroni, que chega às eleições em coligação direta com o partido Itália dos Valores (IdV), do ex-juiz Antonio Di Pietro, famoso por seu combate à corrupção, percorreu em um ônibus todo o país apresentando seu programa eleitoral, de 12 pontos, entre os quais está incluída uma lei para os casais de fato.

O PD propõe benefícios fiscais aos trabalhadores dependentes, incentivos para os aluguéis de imóveis, e a introdução do salário mínimo de 1.000 a 1.100 euros mensais para trabalhadores com contratos que oferecem pouca estabilidade.

Veltroni propõe ainda uma diminuição do número de parlamentares nacionais, com uma Câmara com 470 deputados e um Senado com 100 integrantes.

Berlusconi concorre no pleito em coligação direta com o partido Autonomia Sul (AS) e a Liga Norte (LN). O PLD passou a reunir a partir de sua criação o Forza Itália - antiga legenda de Berlusconi -, a Aliança Nacional (AN) e outros pequenos grupos de direita.

O programa do PLD inclui "sete missões" para o relançamento do país, entre elas o retorno do uso de energia nuclear, proibida em um plebiscito em 1987.

As outras envolvem subsídios a famílias, maior segurança e justiça, melhora dos serviços prestados aos cidadãos, potencialização do sul do país, a introdução do federalismo e um plano extraordinário para otimizar os gastos públicos.

Além dos dois grandes grupos em disputa, destacam-se, entre as 32 listas inscritas para o pleito legislativo, o União de Centro (UC), de Pierferdinando Casini, ex-aliado de Berlusconi, e a Esquerda-Arco-Íris (SA), do comunista ortodoxo Fausto Bertinotti, ex-aliado de Veltroni.

O novo Parlamento voltará a ser escolhido por meio do sistema proporcional e de listas fechadas, imposto por Berlusconi e que acaba penalizando partidos pequenos.

Além das legislativas, os italianos vão às urnas para eleger 462 prefeitos, entre eles o de Roma. Estarão em disputa ainda oito deputações e os cargos de governantes das regiões da Sicília (sul) e de Friuli-Venezia Giulia (oeste). EFE JL/fr/mh

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