Em sinal de aproximação, Cuba e EUA discutem migração

WASHINGTON - Autoridades dos Estados Unidos e de Cuba tiveram, nesta terça-feira, a primeira reunião desde 2003 sobre a migração cubana para o território norte-americano. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o diálogo mostra o desejo do país de trabalhar de forma construtiva com a ilha comunista. Os dois lados levantaram divergências antigas na reunião realizada em Nova York, mas disseram ter preparado o terreno para discussões futuras.

Reuters |

"Essas discussões ressaltam o nosso interesse em travar um diálogo construtivo com o governo cubano, para avançar os interesses norte-americanos em temas de preocupação mútua", afirmou Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado, em comunicado.

O vice-ministro do Exterior de Cuba, Dagoberto Rodriguez, que chefiava a delegação cubana, descreveu a reunião como "uma sessão de trabalho frutífera que confirma a utilidade do mecanismo dessas conversas".

"Houve progressos na identificação de áreas nas quais os dois países devem trabalhar e cooperar para a garantir a implementação dos acordos", declarou o vice-ministro, em um comunicado.

Acordo

Realizada pela última vez em 2003, suspensa por Washington em 2004, essas reuniões dizem respeito aos acordos sobre migração dos anos 1990, que têm como fim prevenir êxodos cubanos para os Estados Unidos, como o que ocorreu do porto de Mariel, em 1980.

O acordo estabeleceu a repatriação por autoridades norte-americanas dos migrantes cubanos interceptados no mar. Havana se comprometeu a reprimir a imigração ilegal.

Nesta terça-feira, os Estados Unidos reiteraram a sua vontade de ter acesso a um porto cubano em águas profundas para poder devolver migrantes com segurança, como estabelecido nos acordos.

Os Estados Unidos querem acompanhar o retorno do migrante e assegurar o bem-estar dele, segundo o Departamento de Estado.

Washington também deseja que Cuba aceite a repatriação de migrantes que cometeram crimes nos Estados Unidos e, assim, não podem se tornar cidadãos norte-americanos.

Cuba reafirmou a sua antiga contrariedade com o fato de cubanos que chegam à costa norte-americana ganharem tratamento preferencial dos Estados Unidos.

Recomeço do diálogo

Cuba afirmou que apresentou para discussão um novo acordo de migração, mas não deu detalhes.

O diálogo com Cuba parece ser um novo sinal da vontade do presidente Barack Obama de se aproximar do país.

Cuba afirmou ter proposto que a nova rodada de discussões se dê em Havana em dezembro.


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