Monte Mor, no interior paulista, é última parada de visita que representa sucesso de relações públicas para a realeza britânica

Não está claro se a visita ao Brasil do príncipe Harry , terceiro na linha de sucessão ao trono britânico, trará algum resultado prático para as relações diplomáticas entre o País o Reino Unido. Mas os três dias de viagem marcam um sucesso de relações públicas para o príncipe, que pareceu conquistar diferentes públicos em eventos esportivos e sociais.

Se no Rio de Janeiro Harry interagiu principalmente com populares , em São Paulo foi a vez de ele encontrar empresários e celebridades. A pequena cidade de Monte Mor, no interior paulista, foi o local escolhido para uma partida beneficente de polo, vencida pelo time do príncipe e envolvida por certa solenidade que contrastava com a pouca tradição do esporte no Brasil.

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Príncipe Harry chegou conduzindo uma charrete com dois cavalos brancos no Haras Larissa, em Monte Mor, região de Campinas, interior de SP
AgNews
Príncipe Harry chegou conduzindo uma charrete com dois cavalos brancos no Haras Larissa, em Monte Mor, região de Campinas, interior de SP

A partida realizada no Haras Larissa representou a edição deste ano do campeonato beneficente de polo Sentebale Royal Salute, organizada pela ONG Sentebale, criada pelo príncipe em homenagem à sua mãe, a princesa Diana. Todo o dinheiro arrecadado com a prova, entre patrocínio, premiação e convites, irá para projetos que cuidam de crianças na África.

Harry entrou no campo por volta das 12h30, vestindo um paletó azul, usando óculos escuros e sorrindo. Ele conduzia dois cavalos brancos que puxavam o que a assessoria de imprensa do evento chamou de “carruagem”, mas que mais parecia uma simples charrete, em uma das várias ocasiões em que as marcas da realeza pareceram não combinar com o cenário.

Por causa do trânsito na entrada do haras, jornalistas seguem a pe
Luísa Pécora
Por causa do trânsito na entrada do haras, jornalistas seguem a pe
Os cerca de 250 jornalistas presentes (sendo mais de 40 estrangeiros) que o digam. Na sala de imprensa, eram oferecidos sanduíches naturais frios; banheiros, só químicos (e todos masculinos); durante a chegada dos convidados e toda a partida, nenhuma cadeira disponível. Enfrentando forte calor, uma jornalista usava um guarda-chuva para se proteger do sol enquanto uma repórter da rede americana CNN gravava várias vezes uma mesma passagem, tentando acertar o nome da cidade paulista (“Mount Mor, Brazil”).

Em frente à área de imprensa, cerca de 400 convidados aproveitavam a área vip, com direito a guarda-sol, sofá, uísque e champanhe. Quando a partida começou, os mais interessados no esporte se dirigiram a uma arquibancada, mas muitos continuaram nos sofás, parecendo prestar pouca atenção à partida. Em certo momento, uma convidada se aproximou dos jornalistas e confessou: “Não entendo nada de polo. O príncipe é o camisa 1 da equipe azul clara?”

Todos, porém, pareciam honrados em participar do evento. Adversário de Harry na partida, Rico Mansur disse que jogar com o príncipe era maravilhoso e prometeu não deixá-lo vencer só para ser bom anfitrião. A modelo Fernanda Motta, que também chegou de “carruagem”, elogiou a simpatia do príncipe e confessou ter ficado “muito nervosa” ao encontrá-lo pouco antes da partida, em um evento para 30 pessoas. Acompanhada das duas filhas, a apresentadora Glória Maria posava para fotos e tentava tranquilizar as meninas, claramente cansadas dos flashes: “Mais um sorriso e acaba”, prometeu.

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Por sua vez, o príncipe também estava animado, segundo contou a diretora-executiva da Senegale, Kedge Martin. “Ele não quer ir embora do Brasil”, garantiu. A preocupação do britânico, segundo ela, era com a possibilidade de cair do cavalo durante a partida, algo comum quando joga no exterior.

No fim, o príncipe não caiu. Mas a queda de um jogador adversário , o paquistanês Bash Razi, permitiu que Harry mostrasse todo o seu cavalheirismo. Imediatamente após o incidente o britânico voltou, saltou do cavalo, se agachou diante de Razi e auxiliou nos primeiros socorros.

Foi o momento mais emocionante da partida, embora um locutor tenha tentado empolgar a plateia dando explicações sobre o esporte (“são quatro tempos de sete minutos”, dizia), fazendo elogios (“príncipe Harry cobrou uma ótima falta”), mostrando a qualidade das equipes (“jogo muito disputado”) e instruindo os presentes sobre como se comportar (“lindo gol, palmas”, “mais uma salva de palmas”).

No fim do jogo (6x3 para o time de Harry), a caixa de som passou a funcionar apenas perto da arquibancada e ficou mais difícil entender o que estava acontecendo. Nem integrantes da equipe que organizou o evento sabiam dizer, por exemplo, quantos gols o príncipe tinha feito (um, dois, nenhum?), e uma até achava que o outro time tinha vencido.

Durante a premiação, o príncipe – com o rosto muito vermelho – ficou mais perto da imprensa e dos convidados. Muito simpática, Gloria Maria pediu um espacinho entre os jornalistas para poder mostrar Harry a uma das filhas. “É aquele bem loiro”, apontou. Quando uma das meninas reclamou do sol, a apresentadora decidiu voltar para a área vip. No caminho, mais uma foto.

No palco, a expectativa era para o encontro do príncipe com Fernanda Motta, responsável pela entrega dos prêmios. Percebendo a inquietação dos jornalistas com os dois beijos dados pela modelo, Harry deu um sorriso e fez sinal de positivo com as duas mãos. Um gran finale.

Giro pelo Brasil

Com 27 anos, o filho mais novo da princesa Diana e do príncipe Charles foi enviado para um giro pelo Caribe e Brasil para marcar o Jubileu de Diamante em honra de Elizabeth 2ª, que comemora 60 anos no trono, em sua primeira viagem oficial como representante de sua avó.

Harry desembarcou por volta das 7h10 de sexta-feira no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro . Cerca de trinta minutos depois, deixou o local com destino à zona sul, em direção ao hotel Windsor Leme. Na parte da tarde, passou pelo bar Astor , em Ipanema, e fez um passeio de helicóptero .

À noite, foi recepcionado em clima de carnaval em uma festa no Morro da Urca, zona sul do Rio. “ Tudo no Rio faz você querer dançar ”, disse o príncipe em um breve discurso para convidados do evento que reuniu autoridades e famosos.

No sábado, apesar do forte calor, o britânico participou de um evento esportivo na Praia do Flamengo. Harry correu, jogou rúgbi com crianças e aprendeu a jogar vôlei de praia com Adriana Behar, Jackie Silva, Pará e Carlão.

Depois o príncipe visitou o Complexo do Alemão, onde assistiu apresentações culturais e interagiu com crianças da comunidade, além de fazer perguntas sobre o funcionamento do Exército brasileiro e a pacificação nas favelas.

Após os atos oficiais, o príncipe ainda permanecerá três dias no Brasil em visita privada ao Pantanal. Na quinta-feira, Harry deve voltar ao Reino Unido.

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