Em ruínas, Curicó se organiza após tremor no Chile

A cidade de Curicó, no Chile, parece uma grande ruína - cerca de 90% das construções foram arrasadas pelo terremoto e o restante, segundo o secretário municipal Manuel Castillo, ficou tão abalado que terá que ser demolido. Na praça central da cidade de 130 mil habitantes, pode-se ver indícios do passado, do presente e do futuro.

BBC Brasil |

Por passado, entenda-se antes de sábado, quando o Chile foi atingido pelo mais forte terremoto dos últimos 50 anos.

O presente é um aglomerado de barracas de campanha e cidadãos em alerta, muitos esperando pacientemente por informações sobre o futuro.

"Estão sendo preparados os decretos para derrubar o que restou na cidade. Estamos realizando um cadastro e já temos umas mil casas, mas ainda não chegamos à zona rural", disse à BBC Mundo o secretário Manuel Castillo.

Ao redor da praça central, pode-se ver os destroços do prédio que abrigava o jornal centenário da cidade esmagando o único carro que estava estacionado em frente.

Mais adiante, na montanha de escombros da igreja de São Francisco, erguida em 1700, encontram-se pedaços de santos e cruzes.


Centro de Curicó ficou em ruínas / BBC

Crateras e alarmes incessantes

A destruição é evidente quando se caminha pelo centro, com suas áreas isoladas e soldados de plantão, desviando de marquises e varandas caídas e de crateras abertas nas calçadas.

A energia elétrica falta em muitas casas, em outras, alimenta alarmes incessantes, que dispararam com o tremor.

Curicó fica na região de Maule, que segundo as autoridades foi a mais destruída. Para quem deixa a capital Santiago, o caminho até aqui dá dimensão à tragédia, que já deixou mais de 720 mortos e centenas de desaparecidos, embora muitos digam que os números finais devem ser muito piores.

De momento, o grande desafio das autoridades e dar abrigo à enorme quantidade de moradores que perdeu suas casas e faz fila para cadastrar os prejuízos.

"Estou vindo para dizer que a nossa casa ficou inabitável, com teto e paredes no chão. Eu morava lá com o meu avô e um tio deficiente, e agora nos mudamos para a casa de uns tios", afirmou Rodrigo Espinosa à BBC. "Quem sabe quando vamos ter casa outra vez."

Até o momento, o governo está abrigando a população em ginásios, enquanto se estuda um plano de ajuda de longo prazo. A palavra que mais se ouve é subsídios, tanto daqueles que perderam tudo quanto daqueles que têm a responsabilidade de entregá-los, já que o terremoto também deve abalar a economia local durante muito tempo.

Apesar da escala da tragédia, ninguém parece estar sozinho em Curicó. A praça é um burburinho de assembleias de cidadãos que contrasta com o comércio fechado e ruas isoladas.

Enquanto mais ao sul, na cidade de Concepción, os saques são um problema crescente, em Curicó os habitantes parecem decididos a não se deixar derrotar pela crise que se abateu sobre a cidade.

Foram improvisados escritórios a céu aberto que recebem denúncias e reclamações, além de receber doações.

"Algumas pessoas não ajudam, mas a maioria está disposta e se preocupa em perguntar o que está faltando. Chega gente chorando porque perdeu as suas coisas, e nós temos que lhes explicar que perderam as suas coisas e não a sua vida", diz Estéfany Pérez, de 13 anos. "E a vida é o mais importante. Ou não?"

Eletricidade

Agora, que mais de metade da capacidade elétrica da cidade foi reestabelecida, as tomadas em funcionamento são divididas entre os cidadãos para carregar celulares.

Os que não têm celular para tentar contato com parentes mais distantes dependem das rádios comunitárias, que também funcionam improvisadas nas ruas.

As vozes cansadas dos locutores oferecem caronas em caminhões de vizinhos, divulgam que farmácias têm remédios e alertam sobre os perigos das ruas destruídas.

Em um ponto, todos concordam: eles tiveram sorte.

O pior está mais adiante, na costa, onde cidades inteiras foram varridas pelas ondas criadas pelo terremoto e onde milhares de pessoas continuam sem comunicação.


Com EFE, Reuters e BBC

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