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Em reunião histórica , palestinos decidem formar Governo de união nacional

Heba Helmy. Cairo, 26 fev (EFE).- Dirigentes dos diferentes grupos palestinos anunciaram hoje o fim de suas profundas divisões e, em uma reunião realizada no Cairo que qualificaram de histórica, se comprometeram a criar um Governo de união nacional.

EFE |

"Hoje é o dia do começo da união palestina, e que vai permitir uma nova página na história", afirmou o "número dois" do movimento palestino Hamas, Moussa Abu Marzouk, em entrevista coletiva na capital egípcia ao lado de outros dirigentes palestinos.

Aproximadamente 30 líderes de várias facções palestinas se reuniram hoje em uma só mesa com o objetivo de acabar com a crise que vêm se arrastando há meses e que levaram a combates entre eles e detenções de seus respectivos partidários.

Tudo isso enquanto a Faixa de Gaza sofria uma forte ofensiva militar de Israel, entre 27 de dezembro e 18 de janeiro, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos e que, surpreendentemente, aumentou ainda mais as divisões internas.

"Hoje é um dia histórico e importante, e pedimos a Deus que o trem da união continue no trilho correto, até que chegue a seu destino", disse na mesma entrevista coletiva o dirigente do Fatah Ahmed Qorei.

Em sua reunião, os dirigentes palestinos anunciaram a criação de cinco comissões que, entre outras tarefas, estarão encarregadas de anunciar a formação de um Governo de unidade.

Também se comprometeram a libertar dezenas de palestinos que estão em prisões de facções rivais, tanto em Gaza, controlada pelo Hamas, como na Cisjordânia, administrada por um Governo liderado pelo principal dirigente do Fatah, Mahmoud Abbas.

O comunicado lido por Qorei na entrevista coletiva estabelece as missões destes cinco comitês, muito parecidas com as traçadas, na abertura da reunião de hoje, pelo mediador e chefe dos serviços de inteligência do Egito, general Omar Suleiman.

A coletiva, que reuniu 13 dirigentes palestinos, deixou várias incógnitas pendentes, como os detalhes do próximo Governo de união nacional.

"O Governo de unidade, seu programa e as maneiras de aplicar suas resoluções serão discutidos pelos comitês responsáveis, e será um Governo provisório até que aconteçam as eleições", disse Qorei.

No entanto, nem Qorei nem Abu Marzuk especificaram se o Executivo será de tecnocratas ou, no caso de serem políticos, como acontecerá a distribuição dos ministérios entre as diferentes facções.

Os sinais de reconciliação surgiram às vésperas de uma cúpula internacional para a reconstrução de Gaza, na qual os dirigentes palestinos terão de assegurar aos países doadores que suas divisões internas não vão atrapalhar o fluxo de ajuda.

Em entrevista à Agência Efe, Maher al-Taher, dirigente da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), assinalou que provavelmente o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, vai liderar a delegação palestina à cúpula, que será realizada na próxima segunda-feira na localidade egípcia de Sharm el-Sheikh.

Taher disse que a entrega dos fundos doados a Gaza está relacionada com a formação do Governo. "Este assunto foi tratado nas reuniões, mas não sei como vão entregar os fundos", acrescentou.

O dirigente disse que lançou uma proposta para a formação de um comitê palestino que se encarregasse de receber as ajudas, mas essa iniciativa não foi aceita por todas as facções.

"A proposta de agora é acelerar a criação de um Governo de união nacional para que receba os fundos", acrescentou Taher.

Os dirigentes palestinos também se referiram à possibilidade de se avançar rumo a um cessar-fogo prolongado entre Israel e Hamas em Gaza.

O acordo teria como objetivo substituir a frágil trégua provisória que está vigente desde 18 de janeiro e que foi violada em várias ocasiões.

"A trégua é um projeto que ainda está com as portas abertas, mas existem condições, e se não forem cumpridas não vai haver trégua", afirmou Marzuk.

Estas condições estão ligadas à lista de presos que o Hamas e Israel querem trocar. As negociações, atualmente em ponto morto, coincidiram também com as gestões políticas em Israel para a formação de um novo Governo. EFE hh-ag/mh

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