Em reunião de ministros, países lusófonos definem agenda para cúpula

Lisboa, 24 jul (EFE).- Uma reunião de ministros abriu hoje os trabalhos da cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e definiu a agenda para o encontro de líderes, que inclui a ratificação da inclusão do Senegal como observador e adia debates sobre a incorporação do Marrocos.

EFE |

Portugal e suas sete ex-colônias, que juntas têm 240 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 700 bilhões, também querem que a reunião impulsione o relançamento do idioma português no mundo, segundo fontes do encontro.

A cúpula acontece formalmente na sexta-feira com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de líderes dos outros países, como o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, e o primeiro-ministro luso, José Sócrates.

A reunião preparatória de hoje aconteceu a portas fechadas em Lisboa, mas o ministro de Assuntos Exteriores português, Luís Amado, comentou aos jornalistas as decisões sobre Senegal e Marrocos - nações da África francófona - e os avanços nos acordos de cooperação e assistência consular entre os membros da CPLP.

A incorporação do Senegal, na qualidade de observador, ficou pendente apenas da ratificação dos chefes de Estado e de Governo, dada como certa, e se somará assim à Guiné Equatorial e às ilhas Maurício, que já tem esse status.

O presidente guinéu-equatoriano, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que manifestou o desejo de que a ex-colônia espanhola adote o português como outro idioma oficial, representará seu país na reunião presidencial da cúpula, na sexta-feira, segundo fontes oficiais.

Os ministros aprovaram hoje a agenda de trabalho oficial da reunião, na qual não foi incluída a incorporação do Marrocos, que, segundo Amado, será debatida com vistas à próxima cúpula do bloco, prevista para 2010.

A delegação de Portugal assumiu a Presidência rotativa CPLP em substituição a Guiné-Bissau, que a exerceu nos últimos dois anos.

A conferência também deve ratificar a nomeação do novo secretário-executivo da CPLP, cargo exercido pelo cabo-verdiano Luís Fonseca, que deve ser substituído pelo guineense Domingos Simões.

Na agenda da cúpula, há minutas de mais de dez resoluções sobre várias questões políticas, econômicas e culturais e também será incluída uma declaração final que será assinada pelos oito líderes.

Segundo fontes diplomáticas, figuram entre os projetos de documentos finais um compromisso de luta contra a aids, um acordo de assistência consular entre os países da CPLP, um pronunciamento sobre a situação no Zimbábue e uma missão de observação para as eleições legislativas de setembro em Angola.

Amado, que assumiu a Presidência do Conselho de Ministros da CPLP, comentou a respeito de outros assuntos em debate, como o fato de a liberdade de circulação no espaço lusófono ainda estar longe.

O ministro português destacou que entre os objetivos de Lisboa à frente da CPLP estará o de buscar uma harmonização de legislações entre os países-membros e a promoção do idioma português no plano internacional.

Além de Lula, Sócrates e Cavaco Silva, participarão da reunião de amanhã os presidentes de Cabo Verde, Pedro Pires, de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, e do Timor-Leste, José Ramos-Horta.

Os outros dois países-membros da CPLP, criada em 1996, serão representados a menor nível: Angola, pelo primeiro-ministro Fernando dos Santos, e Moçambique pelo chanceler Oldemiro Baloi. EFE ecs/wr/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG