BRASÍLIA ¿ O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu nesta quarta-feira em falar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a situação de Honduras. Segundo informou o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, o governo brasileiro está preocupado com a demora do retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao país.

AP
Manuel Zelaya encontra Lula em Brasília

Manuel Zelaya encontra Lula em Brasília

"Na medida em que o tempo vai passando, a capacidade da volta do presidente Zelaya vai se enfraquecendo e isso é ruim para democracia. É preciso não só que o presidente Zelaya volte, mas que volte rápido. E pra que ele volte rápido é preciso que os golpistas entendam que eles não têm futuro e quem pode dizer isso com todas as letras pra eles são os Estados Unidos, que têm maior influência direta, afirmou.

Ainda segundo Amorim, o Brasil tem manifestado com firmeza, junto ao governo dos EUA e à Organização dos Estados Americanos (OEA), a preocupação com a questão. "O presidente Lula se dispôs a falar com o presidente Obama no momento adequado. Naturalmente eu posso ter que falar antes, mas o importante é que não haja dúvida sobre o apoio do Brasil pela volta imediata, incondicional do presidente Zelaya", completou.

Durante a reunião com o presidente Lula, Zelaya explicou com detalhes o golpe que sofreu. "Assaltaram minha residência a balaços. Fui praticamente sequestrado de forma violenta, com roupas de dormir, apontando-me armas", relatou, frisando que Honduras estava desenvolvendo um processo de pesquisa de opinião pública, não um referendo nem um plebiscito.

"Se a violência surge para derrotar presidentes, para apropriar-se da riqueza dos países e para manter seus privilégios, acreditamos que os povos também têm direito à inssurreição. Honduras está submetida a uma ditadura", completou Zelaya, lembrando que "os Estados Unidos têm que tomar medidas mais firmes para reverter o processo deste golpe de Estado, porque 70% da economia de Honduras depende dos Estados Unidos".

AFP
Ao lado de seu tradicional chapéu, Zelaya conversa com Sarney

Ao lado de seu tradicional chapéu, Zelaya conversa com Sarney

Lula recebeu Zelaya - que foi à reunião vestido com um terno e sem seu característico chapéu branco - no Centro Cultural Banco do Brasil, onde o presidente está trabalhando provisoriamente, durante as obras no Palácio do Planalto.

Após o encontro, Zelaya discursou no Plenário do Senado, onde recebeu o apoio de parlamentares de todos os partidos. Segundo Zelaya afirmou que o golpe de Estado é como uma guerra, se viola a Constituição, a República e o povo. Ele agradeceu pelo apoio do Brasil ao restabelecimento da normalidade institucional em seu país.

Há 44 dias longe do cargo, Zelaya chegou na noite de terça-feira ao Brasil pedindo que os governos de Estados Unidos e países da América Latina adotem medidas mais enérgicas contra o grupo que assumiu o poder depois de ter liderado um golpe de Estado.

Ele veio ao Brasil a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diplomaticamente, o gesto do governo brasileiro demonstra o reconhecimento de Zelaya como o legítimo mandatário hondurenho. Ele foi recebido em Brasília com cerimonial reservado aos chefes de governo.

Embora o golpe tenha sido condenado por todo o continente e por organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas e a Organização dos Estados Americanos, o governo de facto liderado pelo presidente Roberto Micheletti não cedeu às pressões crescentes para permitir o retorno de Zelaya.

(Com informações da EFE e da Agência Senado)

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