Em resposta a ataque, Síria fecha duas instituições americanas em Damasco

Damasco, 28 out (EFE).- A Síria decidiu fechar hoje a Escola Americana e o Centro Cultural Americano em Damasco, sua primeira medida após o recente ataque de helicópteros dos Estados Unidos em uma localidade fronteiriça com o Iraque, que deixou oito pessoas mortas e duas feridas.

EFE |

A decisão foi anunciada pela agência estatal de notícias "Sana" após uma reunião do Conselho de Ministros que analisou a ação armada do último domingo na localidade de Abu Kamal.

O comunicado oficial aprovado no final da reunião de ministros qualifica o ataque como "uma bárbara agressão americana" e afirma que esse "crime brutal constitui um ato de terrorismo de Estado".

O ataque foi executado no domingo passado por quatro helicópteros americanos que chegaram do Iraque e retornaram a esse país, segundo a versão síria.

Por sua vez, fontes dos EUA sustentam que o alvo era um bando que supostamente facilitava a entrada de combatentes de grupos rebeldes no Iraque.

Mesmo assim, as autoridades americanas ainda não confirmaram oficialmente este incidente.

A nota oficial síria diz que o Governo ordenou aos Ministérios de Educação e de Cultura que adotassem as medidas necessárias para o fechamento das duas instituições americanas.

Embora o comunicado mencione que o colégio fechado é a Escola Americana, não existe uma instituição com esse nome na capital síria, e se presume que se trate da Escola Comunitária de Damasco, fundada em 1957, e que tem como alunos os filhos de diplomatas e de trabalhadores expatriados.

Trata-se da única escola de Damasco incluída na lista de colégios no estrangeiro do Departamento de Estado americano. Quando o comunicado oficial sírio foi divulgado, o centro já estava fechado.

Por outro lado, na nota oficial, o Governo sírio condena as declarações feitas pelo porta-voz do Governo iraquiano, Ali Dabbagh, que tentou justificar a ação pelo pouco controle que, em sua opinião, as autoridades de Damasco têm sobre sua linha fronteiriça com o país vizinho.

"O porta-voz do Governo iraquiano deu uma justificativa inaceitável e irresponsável a esta traidora agressão que partiu de território iraquiano contra um povo vizinho, árabe e irmão", acrescentou a declaração.

Além disso, como conseqüência do ataque de domingo, o Governo de Damasco decidiu suspender indefinidamente a próxima reunião da comissão bilateral entre Síria e Iraque, que aconteceria em 12 e 13 de novembro em Bagdá.

Por sua vez, as autoridades iraquianas mostraram rejeição à utilização por parte da Força Aérea americana do território do Iraque para lançar ataques contra a Síria.

Em comunicado divulgado hoje em Bagdá, o porta-voz iraquiano Dabbagh lembrou que seu país abriu uma investigação para esclarecer o ataque.

"O Executivo iraquiano deseja manter os melhores laços com o da Síria, mas, ao mesmo tempo, insiste em que deve acabar o treino armado que algumas organizações dão a terroristas em território sírio e que depois entram no Iraque para lançar ataques contra o povo iraquiano", disse Dabbagh.

Por outro lado, a Síria mandou hoje uma mensagem ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, no qual pede à comunidade internacional que exerça suas responsabilidades frente "à perigosa agressão americana", informou a "Sana".

"O Governo sírio espera que o Conselho de Segurança e os países-membros da ONU assumam sua responsabilidade para impedir a repetição desta perigosa violação, e que responsabilizem o agressor pelo assassinato de cidadãos sírios inocentes", disse a carta.

Ao mesmo tempo, o documento pede ao Executivo iraquiano que realize uma investigação sobre o ataque e que encare sua responsabilidade para impedir que seu território seja novamente utilizado como base para lançar agressões "que são contrárias aos acordos da Liga Árabe, da ONU e ao direito internacional".

O texto lembrou que "esta ação hostil" se produz no tempo em que tanto Washington quanto Bagdá reconheceram os grandes esforços que a Síria exerceu para ajudar a manter a segurança no Iraque e para impedir qualquer infiltração ilegal em seu território. EFE gb/ab/plc

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