Em rede nacional, Obama critica serviços de inteligência dos EUA

WASHINGTON - Depois de reunir-se na terça-feira por duas horas com seus principais assessores de segurança e inteligência, o presidente americano, Barack Obama, criticou duramente as falhas potencialmente desastrosas dos serviços de inteligência dos EUA em relação ao ataque frustrado contra um avião americano no dia 25.

iG São Paulo |

"Está cada vez mais claro que as informações de inteligência não foram totalmente analisadas ou (as agências) totalmente acionadas", disse o presidente americano em rede nacional de televisão na noite de terça-feira. "É minha responsabilidade descobrir por que e corrigir essa falha, para que possamos prevenir ataques como esse no futuro", prometeu.

AP
Obama faz pronunciamento após reunião com equipe de segurança

Obama faz pronunciamento após reunião com equipe de segurança

No pronunciamento, Obama afirmou que o recente atentado fracassado contra o voo da Northwest Airlines com destino a Detroit no dia 25 mostrou que os sistemas de segurança do país falharam de forma "potencialmente desastrosa", afirmando que a inteligência americana ignorou "sinais de alerta". Para Obama, os erros nos sistemas de inteligência "não são aceitáveis", ressaltando que não os tolerará. Obama exigiu reformas imediatas para corrigir as falhas.

O ataque frustrado causou desgaste político ao governo por causa das falhas na identificação de suspeitos de terrorismo.

Segundo Obama, a inteligência sabia que a Al-Qaeda na Península Arábica tinha a intenção de atingir alvos dos Estados Unidos não apenas no Iêmen, mas também em solo americano. Além disso, há o fato de que o suspeito pelo ataque frustrado, Umar Farouk Abdul Mutallab, ser um extremista islâmico que já havia viajado para o Iêmen.

"O principal é isto: o governo dos Estados Unidos tinha informação suficiente para descobrir esse plano e até impedir o ataque do Natal, mas nossa comunidade de inteligência não conseguiu ligar os pontos", declarou, completando: "Em outras palavras, isso não foi uma falha na coleta de dados de inteligência, foi uma falha na integração e compreensão dos dados que já tínhamos."

"Quando um suspeito de terrorismo consegue embarcar em um avião com explosivos no dia de Natal, o sistema falhou de uma maneira potencialmente desastrosa", resumiu Obama.

No discurso, Obama também reiterou sua promessa de fechar a prisão dos EUA na Baía de Guantámo, Cuba. O compromisso foi mantido apesar de a Casa Branca ter anunciado horas antes a decisão de suspender a transferência de presos de Guantánamo para o Iêmen, por causa da crescente atividade da rede terrorista Al-Qaeda no país.  

Havia expectativa de que o presidente apresentasse na terça-feira uma série de reformas para aprimorar a habilidade dos EUA de evitar futuras tentativas de ataques terroristas como a que ocorreu em um avião no dia de Natal. Entretando, Obama afirmou que medidas adicionais serão anunciadas nos próximos dias.

Reunião de segurança

Obama se reuniu com 20 funcionários de segurança - incluindo a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton; o secretário de Defesa, Robert Gates; o diretor do FBI, Robert Mueller; o procurador-geral Eric Holder; a secretária de Segurança Interna, Janet Napolitano - para obter uma atualização das investigações sobre os lapsos de segurança que permitiram que o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab entrasse no avião.
O grupo discutiu possíveis mudanças nas criticadas "listas de observação" de suspeitos, assim como na prestação de contas das autoridades responsáveis. Particularmente, as autoridades querem saber se as listas tinham de ter indicado que Abdulmutallab era um perigo.
Um dia depois de voltar das férias no Havaí, Obama enfrenta o desafio de dedicar sua atenção à questão da segurança nacional - repentinamente levada ao topo da sua agenda - sem descuidar de outros assuntos prementes, como a redução do desemprego e a aprovação da reforma da saúde pública.
O governo está na defensiva por causa de falhas nos procedimentos de inteligência que permitiram que Abdulmutallab entrasse com explosivos num avião da Northwest Airlines que fazia o voo Amsterdã-Detroit no dia 25. O homem foi detido quando tentava sem sucesso explodir o avião, já perto de Detroit.
Agências de espionagem dos EUA e o Departamento de Estado tinham informações sobre as ideias radicais do nigeriano, supostamente ligado à Al-Qaeda iemenita, mas não o colocaram na lista de pessoas proibidas de embarcar.

Funcionários da Casa Branca admitem que o caso expôs erros, mas atenuam a necessidade de uma reforma geral no sistema de segurança pública. A oposição republicana acusa o governo Obama de ser fraco na questão da segurança, e espera usar isso a seu favor na eleição legislativa de novembro.

O incidente mostra também que os EUA, envolvidos num prolongado conflito no Afeganistão, têm agora uma outra fonte de problemas: o Iêmen, país mais pobre da Península Arábica.
Jornada do terrorista
AFP
O nigeriano autor do atauqe
O nigeriano autor do ataque
Abdulmutallab viajou por Gana antes de embarcar em um avião em Lagos, Nigéria, e trocou de aeronave no aeroporto de Schiphol, em Amsterdã, Holanda.
De lá embarcou no voo da Northwest Airlines para Detroit, Michigan.
Segundo promotores holandeses, o suspeito parece ter chegado à Holanda já com os explosivos que planejava usar no ataque, informa na terça-feira a CNN.
Seu nome estava na base de dados dos EUA de cerca de 550 mil supostos terroristas, mas não estava em uma lista que o teria submetido a uma inspeção adicional de segurança ou o teria impedido de embarcar.
Na semana passada, a Al-Qaeda da Península Arábica, cuja base fica no Iêmen, disse que treinou e equipou Abdulmutallab para a tentativa de ataque no avião.
*Com informações de Reuters, EFE, BBC e CNN
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