Em Ramala, Lula diz sonhar com criação de Estado palestino

Ramala, 17 mar (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terminou hoje sua visita a Israel e Cisjordânia deixando claro seu desejo de que a criação de um Estado palestino em paz com seus vizinhos se torne realidade em breve.

EFE |

"Sonho com um estado livre e independente na Palestina vivendo em paz no Oriente Médio", afirmou Lula no último dia de sua estadia na Cisjordânia, onde visitou a cidade de Ramala após pernoitar ontem em Belém.

"Acho que palestinos e israelenses acabarão por compartilhar a terra de seus antepassados", declarou em entrevista coletiva concedida junto ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na qual pediu o fim da construção de colônias judias em solo palestino.

"Os assentamentos devem parar porque a estabilidade da região é importante para todos", afirmou Lula.

O presidente brasileiro destacou que não crê que ninguém no mundo seja mais otimista do que ele sobre conseguir a paz na região.

"Acredito no poder dos seres humanos, acho que há um clima positivo, acredito na paz e que ela chegará à região", disse Lula, ao mesmo tempo em que reconhecia que "há alguns obstáculos e problemas".

Entretanto, para Lula, "os políticos serão capazes de solucioná-los e o Brasil dará todo o seu apoio para que haja um processo de paz sólido".

O presidente também pediu para que Israel suspenda o bloqueio à Faixa de Gaza e disse que o muro construído pelo Estado judeu na Cisjordânia "deve cair".

Abbas apontou que a ANP "não tem objeções às conversas de proximidade nem condições prévias" para dialogar com Israel.

O presidente da ANP ressaltou, no entanto, que o problema é "a falta de compromisso de Israel com o Mapa de Caminho", o plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto do Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) e que guia todos os esforços para resolver o conflito regional.

"Se Israel se comprometer com o Mapa de Caminho, então vai parar com todos os seus projetos de expansão de assentamentos em todas as áreas palestinas e, em particular, em Jerusalém Oriental", disse.

Abbas mostrou o apreço que tem a "um grande país como o Brasil, que nos deu e continuará nos dando apoio para estabelecer a paz e um Estado palestino".

Antes de reunir-se com Abbas, com quem assinou acordos de cooperação bilateral, Lula inaugurou esta manhã junto à prefeita de Ramala, Janet Mikhail, a Avenida Brasil, assim batizada para expressar os laços de amizade entre os povos brasileiro e palestino.

A avenida passa em frente ao mausoléu do histórico líder palestino Yasser Arafat, onde Lula deixou uma coroa de flores.

"Estou muito contente por inaugurar esta via, que expressa o amor do povo palestino pelo povo brasileiro e também pela seleção brasileira de futebol", declarou Lula durante o ato, no qual reiterou o apoio do Brasil à paz no Oriente Médio.

Mikhail disse que a avenida foi batizada com o nome do Brasil "para expressar e consolidar a relação entre os brasileiros e o povo palestino, que busca sua liberdade e sua independência".

Com sua escala em Ramala, Lula dá fim a sua estadia na Cisjordânia. Antes, passou por Israel, onde na segunda-feira e na terça-feira se reuniu com a liderança do Estado judeu.

Em seus encontros com o presidente israelense, Shimon Peres, e com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, Lula impulsionou as relações bilaterais na ordem econômica e fez também votos para o estabelecimento da paz na região.

O presidente brasileiro viaja ainda hoje para a vizinha Jordânia, escala seguinte da mais completa viagem ao Oriente Médio de um chefe de Estado do Brasil em mais de um século. EFE nm-aca/bba

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