Julio César Rivas. Toronto (Canadá), 19 fev (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, se comprometeram hoje, em Ottawa, a evitar o protecionismo e a iniciar um diálogo sobre a geração de energia limpa.

No fim de sua primeira viagem ao exterior, o presidente americano disse na capital canadense que "agora é um momento no qual devemos ser muito cuidadosos sobre qualquer sinal de protecionismo".

Obama também "garantiu" a Harper que o pacote de estímulo econômico aprovado nos EUA não prejudicará o comércio com o Canadá, e que, pelo contrário, sua intenção é "aumentar o comércio, não contraí-lo".

Além do acordo ambiental, ao qual os dois países se referiram como um "diálogo sobre energia limpa", Obama e Harper conversaram sobre a crise econômica mundial e americana, e também sobre a situação no Afeganistão, onde o Canadá mantém cerca de 2,5 mil soldados.

A julgar pelas declarações dos dois líderes, o encontro que tiveram - o principal compromisso numa visita de pouco mais de seis horas - focou as relações entre ambos os países.

"Tivemos discussões amplas e produtivas", afirmou Obama na entrevista coletiva conjunta com o premiê canadense.

O presidente americano repetiu o óbvio: "a importância e a proximidade da relação" entre EUA e Canadá, e que os dois países, além de manterem "a maior relação comercial do mundo", compartilham "os mesmos valores democráticos".

Por sua vez, Harper se esforçou para mostrar que o Canadá tem uma política ambiental mais avançada que a dos EUA, apesar das críticas das organizações ambientalistas e de seu Governo não ter aderido ao Protocolo de Kioto.

"Os EUA não têm sua própria estratégia nacional", afirmou Harper ao ser questionado pela imprensa sobre uma possível harmonização das políticas ambientais das duas nações.

Harper acrescentou, no entanto, que os enfoques que Obama e o Executivo canadense têm sobre a luta contra a mudança climática e a redução das emissões dos chamados gases estufa "não são tão diferentes", o que permite às partes chegar a algum tipo de acordo.

Em relação ao Afeganistão, Obama deixou claro que não pediu ao Canadá que mantenha suas tropas no país asiático depois de 2011.

"Naturalmente, não pressionei o primeiro-ministro sobre qualquer compromisso adicional além do já feito. Tudo o que fiz foi elogiar o Canadá, não só pelas tropas que tem lá, mas pelo fato de que o maior receptor da ajuda externa canadense é o Afeganistão", disse.

O presidente americano também afirmou que "o consenso é de que a situação está piorando no Afeganistão".

Sobre o assunto mais espinhoso nas relações entre ambos os países, a possível renegociação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), Obama repetiu que acha lógico incluir nele os acordos adicionais sobre trabalho e meio ambiente.

A visita de Obama ao Canadá gerou uma expectativa muito maior que a provocada pelas viagens de outros presidente americanos.

Cerca de 2,5 mil pessoas se reuniram no Parlamento canadense para aplaudir a chegada do chefe de Estado, apesar da neve que caiu o dia todo.

Apesar do forte esquema de segurança, Obama conseguiu quebrar o protocolo ao fim de sua visita. Após a entrevista coletiva, o presidente decidiu ir a um tradicional mercado de Ottawa, a poucos metros do Parlamento, comer uma "cauda de castor", uma espécie de donut (rosquinha) canadense. EFE jcr/sc

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