Em Pretória, Chávez reforça relação bilateral com África do Sul

Pretória, 2 set (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou hoje à África do Sul, em sua primeira visita de Estado ao país, para criar as bases políticas e o marco jurídico de modo a antecipar mecanismos de cooperação bilateral, como disse em Pretória.

EFE |

"O mundo do Norte, durante séculos, atropelou o mundo do Sul e já é hora de o mundo do Sul ser soberano, independente, sólido, forte", ressaltou Chávez logo após chegar à África do Sul para se reunir com o presidente Thabo Mbeki.

Na reunião com Mbeki, Chávez disse que gostaria de "semear as bases da cooperação Sul-Sul". Enquanto "estamos em pleno processo da nova independência da América do Sul, na África há um movimento de renovação, de busca pela (...) soberania dos povos", ressaltou o chefe de Estado.

Após um encontro de mais de duas horas na sede do Governo em Pretória, os dois presidentes lideraram o ato de assinatura de um acordo de cooperação entre África do Sul e Venezuela e outros três pactos e memorandos sobre energia.

Chávez explicou, depois, em coletiva de imprensa conjunta com Mbeki, que os acordos supõem que a empresa petrolífera sul-africana vai à zona produtora de petróleo da faixa do Orinoco para trabalhar conjuntamente com a Petroleos de Venezuela (PDVSA), enquanto a venezuelana fará trabalhos de prospecção na África do Sul.

"A África, para nós, é uma mãe (...) Somos mais uma combinação da América e da África do que uma procedência da Europa", declarou lembrando palavras de Simón Bolívar.

"Estamos em uma crise geral e, por isso, os países do terceiro mundo devem se unir e começar a elaborar uma agenda para novas relações internacionais", acrescentou Chávez.

Nesse sentido, assegurou que "uma nova revolução está em andamento", que já não é a revolução armada, mas uma "revolução pacífica e democrática, mas uma verdadeira revolução".

"A Venezuela era uma colônia do norte e agora nos libertamos e olhamos para o sul", comentou.

Mbeki, por sua parte, explicou que a visita serviu para "aprofundar a relação entre África do Sul e Venezuela, que deve ser muito mais estratégica", e assegurou que se esforçarão para que dê "resultados a curto prazo".

Segundo Mbeki, sobre energia, a vantagem que terão os dois países é que serão eliminados os intermediários na troca de petróleo e combustíveis, e que a África do Sul poderá participar da exploração dos campos petrolíferos venezuelanos.

O presidente sul-africano ressaltou que, além dos acordos assinados hoje, antes do fim de ano os dois países vão tentar chegar a um acordo econômico global e também a outros em temas específicos, como cultura e telecomunicações.

Mbeki também reiterou seu desejo de que o fortalecimento da relação entre África do Sul e Venezuela leve, além disso, a reforçar a relação Sul-Sul.

Em princípio, a visita de Estado de Chávez estava programada para os dias 2 e 3 de setembro, mas terminará hoje com um jantar de honra oferecido por Mbeki ao líder venezuelano.

Uma fonte da Presidência da Venezuela disse à Agência Efe que Chávez deve retornar diretamente a Caracas, mas não precisou se voltará hoje mesmo ou se terá ainda outras atividades na África do Sul. EFE cho/rr

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