Em Paris, Papa pede que França cultive Deus na sociedade

Por Philip Pullella e Tom Heneghan PARIS (Reuters) - O papa Bento 16 iniciou nesta sexta-feira uma visita de quatro dias à França e fez um pedido para que os franceses mantenham Deus vivo em suas vidas e deixem a religião ajudar a criar um mundo melhor.

Reuters |

O presidente Nicolas Sarkozy, que se diz favorável à participação da fé na vida pública, quebrou o protocolo e saudou o pontífice alemão assim que ele desembarcou no aeroporto de Orly (zona sul da Grande Paris).

Ele estava ao lado da sua terceira esposa, Carla Bruni-Sarkozy, uma glamurosa cantora e ex-modelo italiana.

Bento 16 e Sarkozy seguiram diretamente para o Palácio do Eliseu, onde fizeram discursos rápidos.

'É importante nos tornarmos mais atentos quanto ao papel insubstituível da religião para a formação da consciência e a criação de um consenso étnico básico com a sociedade', disse o papa em francês fluente.

A França mantém uma rígida separação entre Igreja e Estado, e até mesmo mencionar a fé costuma ser um tabu para políticos.

Mas a religião nos últimos anos voltou à vida pública, com Sarkozy à frente.

No avião, Bento 16 disse a jornalista que a 'laicité' (palavra francesa que designa o caráter laico de algo) não é incompatível com a religião.

'Para os cristãos, sempre esteve claro que a religião do fiel não é política, e que a política não é uma religião, mas uma realidade profunda com uma missão espiritual', disse ele em francês. 'Os dois devem estar mutuamente abertos.'

Esta é a primeira viagem pontifícia de Bento 16 à França, um país que ele conhece bem e cuja língua fala com fluência.

Ainda na sexta-feira -- exatos dois anos depois do seu polêmico discurso de Regensburg, que irritou muçulmanos por citar um suposto caráter violento do Islã --, o papa deve fazer um importante pronunciamento sobre fé e cultura para uma refinada audiência de 700 intelectuais e artistas franceses.

No sábado, ele celebra missa campal no centro de Paris, antes de voar para Lourdes, santuário católico no sudoeste do país, onde participará de cerimônias pelos 150 anos das aparições da Virgem Maria ali.

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