Em Paris, Meirelles diz que Brasil já passou pelo pior da crise

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira (23), em Paris, na França, que há sinais de que o pior momento da economia brasileira já passou. As afirmações foram feitas durante uma palestra para empresários da Câmara de Comércio França-Brasil sobre o desempenho da economia brasileira na crise internacional.

BBC Brasil |

Segundo Meirelles, o último relatório do BC e a análise dos dados preliminares do próximo documento a ser divulgado pelo órgão, na semana que vem, indicam que o crescimento será positivo neste ano.

"Só poderemos saber se isso vai se confirmar e o número preciso da nossa previsão na próxima semana, quando será divulgado o relatório de inflação do Banco Central", afirmou.

Expectativa

Meirelles preferiu não comentar sobre sua expectativa com relação ao crescimento econômico do Brasil em 2009 e afirmou que aguarda a divulgação dos números para "saber se estará otimista ou não" sobre a economia.

Estimativas de órgãos internacionais, como o FMI (Fundo Monetário Internacional), indicam que a economia brasileira deve registrar retração neste ano.

Estabilização

Durante a palestra aos empresários, Meireles afirmou que, após o último trimestre do ano passado e os primeiros três meses de 2009, alguns indicadores apontam a estabilização da situação econômica no país.

Meirelles citou como exemplo os investimentos estrangeiros diretos à produção, cujas expectativas em relação ao mês de maio são "positiva".

"Não só estão entrando mais investimentos diretos no país como também as remessas de filiais estrangeiras ao exterior vem caindo", afirmou o presidente do BC.

"O total dos investimentos diretos deverá ser menor do que o volume recorde registrado em 2008, mas deve ficar acima da previsão dos mercados, que é algo em torno de US$ 25 bilhões ou US$ 26 bilhões."
No ano passado, o Brasil recebeu US$ 45 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.

Viagem

 Após a conferência em Paris, Meirelles participa, a partir de quarta-feira, na Basiléia, na Suíça, de quatro diferentes reuniões. Uma delas é a conferência anual do Banco de Compensações Internacionais(BIS), considerado o banco central dos bancos centrais, além de uma reunião do Comitê de Estabilidade Financeira.

Meirelles afirmou que se reunirá na conferência anual do BIS com os presidentes dos bancos centrais da China, da Índia e da Rússia â¿ países que, ao lado do Brasil, compõem a sigla BRIC - para discutir a ideia de substituir o dólar nas trocas comerciais.

"Vou discutir individualmente com os presidentes dos bancos centrais desses países para ver quais são as dificuldades e o nível de interesse em relação à iniciativa", disse Meirelles.

Ao se referir às operações desse tipo realizadas com a Argentina, que representam apenas 0,12% do comércio bilateral, Meirelles disse que "quanto mais houver comércio em moeda local, maior será o interesse".

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